terça-feira, 9 de abril de 2013

RELATOS UMBANDISTAS- Lançamento Madras Editora- Por André Cozta



 Estou lançando o primeiro dos meus 3 livros que serão publicados pela Madras Editora.

"Relatos Umbandistas" é uma obra simples, como simples é a Umbanda, e que, através desta característica fundamental, contém em seu teor alguns ensinamentos, provocando reflexão naqueles que a ela chegarem, especialmente, os umbandistas.

O Preto Velho Pai Thomé do Congo traz a nós, através deste compêndio, depoimentos de 7 médiuns umbandistas desencarnados, relatando suas experiências, todas passadas no Brasil em meados do Século XX.

Avaliam seus erros e acertos e, principalmente, buscam alertar os médiuns e praticantes de Umbanda encarnados neste momento para questões como o conhecimento e o estudo dentro da religião umbandista, a humildade, a vaidade.

O prefácio desta obra é assinado pelo Mestre Alexandre Cumino.

Colocamos, humildemente, este livro à disposição daqueles que se interessarem pelo assunto, podendo adquiri-lo nas melhores livrarias.
Também podem entrar em contato conosco através deste email ou do endereço umbandaemagia@gmail.com.

Que a Paz do Divino Pai Oxalá esteja com todos!

Abraços Fraternos;

André Cozta

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Umbanda: Magia Pela Fé- Por André Cozta




Segundo o Mestre Rubens Saraceni, as Divindades que atuam nas religiões, o fazem a partir da Fé, o primeiro Sentido da Vida, enquanto as que atuam na magia, o fazem a partir da Evolução, o sexto Sentido da Vida.
Por vias diferentes, buscam a mesma finalidade, que é a de nos direcionar em nossa caminhada evolutiva para o destino que nos foi designado por Deus.
Parece simples e simples é, até que nós, os humanos, coloquemos nossas “abençoadas” mãos nas situações e comecemos a desvirtuar todo um plano divino, onde fomos colocados como “pontas” fundamentais para a ligação deste planejamento maior com o mundo material onde vivemos.
Mas, como nem tudo é tragédia (graças à Deus!), há também muitos e bons casos de pessoas que estão seguindo à risca o plano divino, ou seja, trazendo ao plano material o que foi designado pelo Alto, a partir do nosso Criador Amado, passou por suas Divindades Manifestadoras de Poderes (os Sagrados Orixás),  foi entregue aos Mestres e Guias da Luz e incumbido a nós, os encarnados, que recebemos como missão a disseminação do Verbo Divino aqui no plano material.
E, neste momento, passo a falar especificamente aos umbandistas.
Sabemos que toda e qualquer religião faz parte do Plano Maior de Deus. Cada uma tem uma função específica aqui no plano material, mas, todas, são “atalhos” evolutivos para que nos religuemos à Ele.
A nossa Sagrada e Amada Umbanda  não é diferente, portanto, nem melhor, nem pior do que qualquer outra religião estabelecida no plano material da vida humana.
Mas tem suas próprias características. E isto a torna única, assim como as outras.
Não devemos confundir as influências desta religião que ainda engatinha na história da humanidade com identidade.
Se você, por exemplo, carrega semelhanças em traços físicos com seu pai ou sua mãe, isto não significa que deverá, então, ter o mesmo número de identidade, CPF, título de eleitor de um deles, não é mesmo?
Então, trazendo isto para a nossa realidade religiosa, devemos concluir que, se a Umbanda teve as suas influências (como todas as outras religiões estabelecidas atualmente no mundo as tiveram), por outro lado, teve e tem suas próprias características, seus preceitos, ritos, gênese, teologia, teogonia e cosmogonia.
A Umbanda é uma religião mágica por essência e natureza. Por que movimenta em suas práticas e ritualísticas os Mistérios Divinos, as essências que formam a Natureza Mãe e por que cultua as Divinas Hierarquias Naturais pontificadas pelos nossos amados e amadas Pais e Mães Orixás.
Tudo isso eu escrevi até aqui, para dizer que na Umbanda, religiosidade, fé e magia, se amalgamam num único ritual.
E o ser que adentra um templo umbandista, numa realidade urbana, se sentirá num ponto de forças da natureza.
Por que assim é nossa religião. Se, as religiões como citei no início deste texto, atuam em nossas vidas pelo Sentido da Fé, o primeiro, e a Magia atua pelo Sentido da Evolução, o sexto, ouso dizer neste meu comentário, que a Umbanda combina isso tudo, fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.
A Sagrada Religião Umbandista une Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração, a partir da Fé, Transmutando os seres pela Evolução.
A Religião de Umbanda Sagrada é Magia pela Fé e é Fé pela Magia.
Sem Fé não damos o primeiro passo em nada em nossas vidas. E a magia umbandista é o recurso divino colocado à disposição dos fieis, adeptos e simpatizantes dessa religião para que se purifiquem, equilibrem e caminhem com as suas próprias pernas.
Se você procura um templo umbandista a fim de tê-lo como muleta, de que ele resolva seus problemas, aconselho a dar meia volta e nem adentrá-lo.
Mas se você procura um templo umbandista a fim de encontrar a força que habita seu íntimo, a Essência Divina que o move e, muitas vezes, não consegue perceber, então, adentre-o e seja bem vindo.
Magia pela Fé, ou, Magia Branca, como muitos costumam definir, deve ser única e somente um recurso estimulador para que os seres caminhem por si só. Deve purificar, equilibrar, ordenar e abrir caminhos.
Nunca deve interferir no livre arbítrio de quem quer que seja.
Por que a Umbanda, assim como toda a religião, é um recurso da Lei Divina. Aqui, no plano material, se um agente ou instituição ligado à lei humana corromper-se, atuar contra a lei, estará pulando para o lado criminoso da sociedade, não é mesmo?
Pois bem, todo o templo religioso que infringe ou agride à Lei Divina, está passando para o lado contrário à ela. Estaremos, neste caso, diante de um exemplo de corrupção espiritual ou religiosa, como queira definir.
Conversas que tive, nos últimos tempos e recentemente, com algumas pessoas, me moveram a escrever este texto.
Há, infelizmente, por aí, ambientes de práticas dúbias e duvidosas, usando o nome da Umbanda para atrair pessoas.
Parafraseando meu Mestre em Teologia, Alexandre Cumino: “Umbanda é religião, por isso só pratica o bem”.
Colocar à frente de uma casa o nome da Umbanda ou de qualquer outra religião é bem fácil.
Porém, não tão fácil assim, é ter o amparo dos Senhores Mentores, Orientadores da religião umbandista, que são Senhores Mestres da Luz, tampouco dos Senhores Maiores desta religião, os Sagrados Orixás.
Meu intuito com este texto é provocar em você uma profunda reflexão.
Como você tem lidado com a Umbanda? Como a pratica? Como tem sido a sua doação à Deus através da Umbanda?
Sugiro que busque sempre informações, estude, pois, como escrevi em outra oportunidade, devemos estudar a Umbanda a partir da observação profunda de tudo o que vemos nos rituais, amparados sempre pelas obras trazidas ao plano material pelos Mestres Dirigentes da nossa religião no astral.
Reflita... e nunca se esqueça que Umbanda é Magia pela Fé, através da Fé, a partir da Fé, para que trilhemos de forma pura os Caminhos da Evolução.

Saravá Umbanda!!!!!!!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Estudo na Umbanda- Por André Cozta




Invariavelmente, vemos e ouvimos  experientes médiuns e dirigentes espirituais umbandistas (e sempre se orgulham disso) declararem que em seus trabalhos não utilizam-se do fumo (cigarros, charutos ou cachimbos) e/ou da bebida alcoólica.
Argumentam que estão “doutrinando” seus guias. Ou seja, o próprio umbandista corrobora para a tese preconceituosa de que, na nossa religião, os espíritos são atrasados.
Deixo aqui uma declaração pessoal para que você reflita: eu, André Cozta, tivesse em algum momento, em todos esses anos, percebido um arremedo de atraso que fosse, por parte dos guias espirituais umbandistas, com certeza, já não estaria mais praticando esta religião que me foi dada no berço.
Fiz esta colocação nos três primeiros parágrafos deste texto, exatamente a fim de introduzir o que pretendo abordar nele: o estudo na Umbanda.
Por que, neste primeiro século de existência da nossa religião, não foram poucos os lugares e momentos em que se apregoou o anti-estudo, alegando-se sempre que na prática tudo aprendemos.
Ora, se eu não tivesse aprendido a datilografar aos meus 14, 15 anos, aproximadamente, levaria, com certeza, uma hora ou perto disso para digitar este texto, o que faço, normalmente em, no máximo, quinze minutos. Se eu não tivesse sido alfabetizado na tenra idade, como poderia aprender a digitar, ao menos (mesmo sem cursar datilografia), sem base alguma?
Pois bem, ao longo destas minhas pouco mais de quatro décadas de vida, infelizmente, tenho visto muito disso na Umbanda. A pregação de que a prática ensina tudo. Só que, a prática sem embasamento algum, acaba distorcendo muitas coisas dentro da lida religiosa, se não todas.
Vamos parar para refletir um pouco: se eu, médium umbandista, pego um cigarro que me foi intuído pelo meu Malandro, mais a cerveja e vou para o trabalho inseguro, pouco ou nada sabendo para que aquilo serve, como deverá trabalhar o meu guia? Bloqueado, travado, com certeza! 
Porém, se eu souber, por exemplo, que o elemento fumo é estabilizador, transmutador, que está sob a irradiação da Evolução (Pai Obaluayê), que é um elemento terra-água, que, ao manipulá-lo, o guia, além de estar “defumando” o consulente, a mim mesmo e ao ambiente, está manipulando cinco dos sete elementos: vegetal (expansor), terra (transmutadora, estabilizadora), água (vivificadora, purificadora, mobilizadora) ar (ordenador e direcionador) e fogo (equilibrador, consumidor de negativismos, energizador e purificador)... como fluirá o trabalho do guia? Solto, leve e cumprirá suas devidas funções naquele tratamento.
O princípio básico de estudos na Umbanda deve ser, na minha modesta opinião, a observação. Como deve ser no estudo de qualquer ciência (a Umbanda assim é, bem como todas as religiões, que manifestam de alguma forma, a Ciência Maior, que é a Ciência Divina).
Observar, analisar, avaliar, anotar (no papel ou mentalmente) os movimentos e seus resultados.
Aliado a este movimento prático, fundamental e necessário em qualquer estudo, o umbandista deve buscar o conhecimento através dos livros já colocados à nossa disposição aqui no plano material pelos Mestres Dirigentes do Ritual de Umbanda Sagrada.
Assim, perceberá, em pouco tempo, um salto de qualidade, tanto no seu conhecimento acerca da religião, já expandido, como na sua prática, na manifestação dos seus guias espirituais.
Umbanda não é “fenomenologia”, é uma religião por que nos religa a Deus Pai através da Natureza Mãe e de suas Divinas Hierarquias (os Sagrados Orixás). E também é uma Ciência, por que nos mostra, o tempo todo, a partir da sua simplicidade, que simples é a Criação, manifestada matematicamente na Ciência Criadora de Deus Pai.
Portanto, neste texto breve, simples e escrito com o coração, quero propor a todos os irmãos e irmãs umbandistas, que ainda não acessaram a chave do conhecimento da nossa religião, que repensem sobre isso, se repensem e, através do estudo, recomecem suas caminhadas.
E que o Divino Pai Oxalá, assim como todos os Sagrados Orixás, vos iluminem sempre!


SARAVÁ!!!!!!!


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Firmezas de Exu


Irmãos e irmãs,  publico neste blog, firmezas do Orixá Exu, também de Pai Ogum e Pai Oxalá, que me foram passadas esta semana.
O intuito das três últimas publicações, foi de promover uma aproximação e familiarização dos irmãos umbandistas com o Senhor Orixá Exu, para que passem a cultuá-lo, criando assim este hábito nas suas práticas religiosas.
Muita atenção, não misturem as estações, não invoquem seus guias Exus de esquerda. Estes trabalhos são de Orixás, e no caso deste Poder Divino, estamos evocando o Divino Trono da Vitalidade, o Senhor Mehor Yê.
Prestem atenção no seguinte:
1) O primeiro trabalho a ser feito é com a figura 2. Desenharão um triângulo, na porta de suas casas, do lado esquerdo de quem sai, apontando para a rua. Com pemba branca ou giz branco, desenharão um triângulo e, no centro dele, um tridente. Acima do tridente, colocarão um coité com cachaça, na base esquerda do triângulo, acenderão um charuto que deverá apontar para o norte e, na base direita, colocarão um triângulo com pimentas (3 pimentas vermelhas), apontando também para o norte. Nos polos deste triângulo, colocarão uma vela preta no norte, uma vela branca embaixo na direita e outra vela branca embaixo na esquerda. Firmem tudo como está no desenho, dentro do triângulo, acendam as velas e façam a seguinte oração:

"Clamo à Deus, à Sua Lei Maior, à Sua Justiça Divina e ao Orixá Exu, Senhor da Magia, que esgote a partir desse momento, dentro do meu grau e do meu merecimento, assim como de meus familiares,  todas as energias negativas enviadas para o meu lar, para mim e para minha família.
 Peço que sejam recolhidas no âmago do Vosso Mistério Divino, que tenham seus negativismos anulados. Peço, também, que se houver no meu lar energias negativas, espíritos negativados, magias negras, que Vosso Mistério divino os recolha, impedindo-os de atuar negativamente, daqui pra frente, contra quem quer que seja.
Senhor Orixá Exu, peço que Vossa atuação seja constante na minha vida, dos meus familiares e no meu lar, para que eu possa seguir minha caminhada dentro da Lei. Amém."

Ao final, saúdem: Laroyê Exu, Exu é Mojubá!

Este trabalho esgotará todos os negativismos no ambiente do lar e também das pessoas que nele vivem.

2) O segundo trabalho é feito com a figura 1. É necessário que entendam que, neste caso, o triângulo desenhado é imaginário. Deverão firmar o triângulo somente com os tridentes, exatamente como estão na figura (o tridente do norte apontando para o norte e os 2 debaixo, para dentro, naquele ângulo que visualizam na imagem). No centro, desenharão com pemba e giz branco (assim como fizeram com os tridentes), uma espada da Lei, exatamente como está no desenho. ,E, dentro dela, firmarão uma vela azul índigo (ou vermelha, conforme a intuição). No polo sul, um pouco abaixo dos tridentes e bem no centro, desenharão uma cruz, firmarão no centro dela uma vela branca para o Pai Oxalá e, bem ao lado direito da cruz, na altura da linha vertical, colocarão um copo d'água. Lembro também que, no centro de cada tridente, firmarão as seguintes velas: vela branca no tridente do norte, vela vermelha no debaixo à direita, vela preta no debaixo, á esquerda. Firmarão este espaço sem desenhar triângulo, não esqueçam disso. Colocarão as velas, o copo com água nas posições corretas e acenderão as velas. E farão uma oração à Deus, Sua Lei Maior e Sua Justiça Divina, ao Senhor Orixá Exu, ao Sagrado Pai Ogum, Senhor da Lei e ao Sagrado Pai Oxalá, Senhor da Fé, pedindo proteção em seus lares, suas vidas e de seus familiares que com você residem.
Neste caso, não há uma oração pronta, pois, a orientação é que ela venha do íntimo de cada um.
Este trabalho também deve ser firmado no lado esquerdo de saída da porta de casa
E tudo o que for desenhado, nos 2 trabalhos, deve ser feito somente com giz ou pemba branca, nunca colorido.

O ideal é fazerem o primeiro trabalho e, 24h, no máximo, 48h após, o segundo trabalho. No primeiro, recolherão e esgotarão negativismos, no segundo, criarão uma enorme teia de proteção em si própiros, nos familiares e especialmente, em seus lares.
 
Honestamente, espero que estas três últimas publicações, onde tentamos mostrar como atua o Poder Divino Exu, sem qualquer tipo de mistificação, mitificação ou preconceito, tenham servido para esclarecimentos. Caso surja alguma dúvida, podem contactar pelo email umbandaemagia@gmail.com
E que Exu direcione vossas vidas. É o que deseja Pai Thomé do Congo. É o que eu desejo também.
 
André Cozta

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Conto de Exu











Relataremos aqui, brevemente, uma série de situações que se passaram na vida de um determinado homem, ao qual não nomearemos. Em primeiro lugar, por que seu nome realmente não  importa e, em segundo lugar, a fim de que a sua atenção se volte, tão somente, para o objetivo central deste relato.
Ele andava pela rua, certa tarde, visivelmente preocupado com o rumo que sua vida havia tomado.
Era um homem de negócios, ocupava um cargo executivo importante em uma grande empresa. Como chefe que era, delegava funções aos seus subordinados. Em alguns momentos, era implacável em julgamentos, em outros, encontrava no equilíbrio e na ponderação,  o caminho que o levava a tomar decisões acertadas.
Era, tipicamente, um ser humano encarnado em evolução.
Naquela tarde, saiu mais cedo do trabalho, foi até um botequim que costumava frequentar, acomodou-se, pediu uma bebida e se pôs a pensar.
Não entendia por que tudo na sua vida oscilava tanto. Se, era um homem bem estabelecido financeiramente, por outro lado, alternava entre altos e baixos emocionalmente, também na sua relação com colegas de trabalho e, inevitavelmente, com as mulheres.
Considerava-se um homem galante e conquistador, apesar de, quase nunca, conseguir emplacar um relacionamento com alguma mulher por mais de  dois ou três meses.
Vivendo desta forma, já se pode perceber que tinha sua “visão” e sua “audição” espirituais completamente fechadas. Era um ser totalmente voltado para a matéria. Respondia automaticamente que acreditava em Deus, sem pensar no que dizia, nem, ao menos, como tantos, tentava imaginar como deveria  ser Deus.
Rapidamente, colocaremos aqui, três situações que ocorreram na vida deste nosso irmão, pouco tempo antes deste momento em que  nos encontramos com ele.

1º Momento:
Numa manhã muito chuvosa, em que uma tempestade tomou conta daquela cidade, ele, reivindicava, com seu carro parado à frente do portão da garagem da empresa, que o funcionário responsável abrisse-o, para que pudesse entrar, estacionar , acomodar-se no seu escritório e fugir da chuva.
O funcionário demorou a atendê-lo, por que estava a poucos metros dali, socorrendo um cachorrinho que se afogava numa esquina por demais alagada.
Assim que retornou, pediu desculpas ao homem impaciente (que estava dentro do carro, são, salvo e seco), que lhe proferiu uma série de impropérios, chegando, inclusive, às vias de ofensas pessoais e familiares.
Ciente dos problemas que poderia ter, caso levasse aquela discussão em frente, o funcionário, abaixou a cabeça apenas, explicou que o portão havia emperrado por conta da chuva e o abriu, para que o homem entrasse.
Já acomodado em seu escritório (ele que, como já disse, tinha olhos e ouvidos espirituais fechados), sentiu  certo  “incômodo”, como se houvesse algo ou alguém à sua volta que não podia identificar.
Sem que percebesse, um sorriso maroto circundava à sua volta. Só sentia o tal incômodo, mas, não sabia do que se tratava, concluiu que era coisa da sua cabeça, que estava nervoso pelo fato de não ter sido atendido quando bem entendia.
      
2º Momento:
Sete dias após aquele episódio, no fim de tarde, quando voltava do trabalho para casa, dirigia  apressado, se é que podemos definir assim quem, irresponsavelmente, corre no trânsito.
Parou em um semáforo. A avenida estava vazia. Apenas uma senhora de idade avançada atravessava a faixa de segurança. E, por conta da sua condição física debilitada, andava vagarosamente.
O sinal abriu, a senhora ainda não havia atravessado, mas, ele, apressado, afundou o pé no acelerador, atropelando-a.
Não foi um acidente grave. Ele atingiu-a na perna, fazendo-a cair.
Imediatamente, parou o carro e, desesperado, foi socorrê-la. Levou-a  a um hospital.
A senhora teve apenas um ferimento leve, que foi tratado, com a médica tendo encaminhado-a para casa em seguida.
Ele, ainda preocupadíssimo e tomado por um enorme remorso, fez questão de levá-la em casa. Deve, sem medo de errar na conta, ter pedido desculpas à ela umas trinta vezes.
Aquela senhora, muito tranquila, no decorrer da viagem, sentada ao seu lado, em dado momento, fitou o rapaz e falou: “Meu filho, peço-lhe desculpas por me intrometer na sua vida, afinal, mal nos conhecemos, mas, percebo em você a busca por algo que, talvez, nem mesmo saiba o que é.  Se há em você um pseudo-vazio, saiba que é um equívoco da sua parte pensar assim. Por que, você, o mesmo rapaz que me atropelou (e que poderia ter fugido e não me prestado socorro), foi o meu ‘salvador’. Poderia ter apenas me deixado no hospital, mas não, está me levando em casa e visivelmente preocupado comigo. Olhe bem para dentro de você mesmo, meu filho. Se assim fizer, tenho certeza, aplacará essa angústia que o acompanha.”
Uma lágrima correu em seu rosto, mas, ele segurou o choro.
Despediu-se daquela senhora com um abraço forte, deixando com ela um cartão de visitas com seus contatos e recomendando que ligasse para ele caso precisasse de qualquer coisa.
Ela apenas deu um sorriso e falou: “Nós nos veremos em breve, meu filho!”
Assim que ela adentrou o prédio, ele começou a chorar copiosamente dentro do carro.
Após alguns minutos, enxugou as lágrimas. Sentia-se bem, muito bem!
Porém, como sua visão e sua audição espirituais eram fechadas, não pode perceber, naquele momento, um sorriso maroto à sua volta.

3º Momento:
Numa das suas inúmeras tentativas em se relacionar com mulheres, aconteceu de conhecer, através de um amigo, uma moça que lhe chamara muito a atenção.
Gostava de conversar com ela, considerava-a uma excelente companhia,  compreensível,  segura nas ideias, além de ser uma belíssima mulher.
Tinham, após algum tempo, encontros periódicos. Um relacionamento sério entre eles surgia.
Ela,  via nele muitos predicados que, até aquele momento, fizeram-na pensar ser aquele o homem ideal para acompanhá-la no restante da sua jornada encarnada.
Porém, não foi preciso mais do que sessenta dias de encontros para que aquele relacionamento começasse  a ruir.
Ele passou a revelar um lado seu que a desagradou e decepcionou.
Desmarcava encontros em cima da hora para ficar com amigos no botequim ou para jogar bola.
Nos encontros, passou a tratá-la de forma ríspida.
Certa  noite,  ela resolveu colocar tudo na mesa, discutiram. Ele perdeu a cabeça e partiu para atitudes violentas, machucando-a bastante.
Aquele foi o momento derradeiro entre ambos.
Na mesma noite, ao chegar à sua casa, percebeu que o elevador estava emperrado, tendo que subir alguns andares de escada. E não bastaram mais do que três lances, para que começasse  a se sentir mal, ficou tonto, caiu escada abaixo, quebrando sua perna esquerda.
Deitado, zonzo, gritou por socorro, que levou alguns minutos para chegar. E sua dor na perna só fazia aumentar.
Enquanto aguardava pelo socorro, sentia corpo e cabeça pesados. Mas, como sua visão e audição espirituais eram completamente bloqueadas, não pode ouvir uma gargalhada marota à sua volta, desde o momento em que agrediu a moça, até aquele, em que estava deitado, com a perna quebrada, clamando por socorro.
No início deste conto, não dissemos que, ao chegar ao botequim, ele se apoiava em uma bengala, mancando. Tinha, após aquele tombo, ficado com um defeito na perna esquerda, que procurava tratar.
Depois daquele episódio, não mais pode jogar bola com os amigos (seu maior hobby) e seu desempenho com as mulheres passou a ser nulo.
Por isso, lá estava, desesperado, bebendo, buscando naquele ambiente uma resposta, uma solução para a sua vida.
Você deve estar questionando, a esta altura da leitura, por que intitulamos este como “Conto de Exu”, se nos detivemos apenas à fatos da vida de um homem comum, não é mesmo?
Ora, é nosso objetivo neste trabalho, mostrar Exu como um Orixá, um Poder Divino, um Estado da Criação.
Volte aos três momentos  e perceba Exu nas ações que se desencadearam a partir das atitudes do rapaz, nos sorrisos e na gargalhada marota.
Mas, se ainda assim, você insiste em humanizar o que é Divino, então, vamos lá:
Ainda sentado naquele botequim, ele, que tinha  visão e audição espirituais completamente bloqueadas, não percebeu uma força que se aproximava, mas que o faria tomar uma atitude que o levaria para outro caminho, a partir daquele momento.
À  sua volta, havia muitos espíritos obssessores, sofredores, sugadores de energias.
Aproximou-se da mesa  “algo” muito superior a eles e a todos que ali se encontravam (tanto encarnados quanto desencarnados).
Um ser masculino, de pele negra reluzente, orelhas pontiagudas, que poderiam ouvir a tudo e a todos ao mesmo tempo, mãos grandes, com dedos compridos, que poderiam agarrar toda e qualquer coisa ou todas as pessoas, ao mesmo tempo, pés grandes, com dedos compridos, que poderiam pisar em qualquer solo, ou, em nenhum, boca grande que poderia falar todas as palavras, dialetos e idiomas ao mesmo tempo, com quantas pessoas fosse necessário, olhos negros grandes, que à tudo viam, nada escapava do seu raio de visão.
Quando se aproximou do rapaz, todos os espíritos que estavam à sua volta dali desapareceram como que num passe de mágica, tendo sido, muito provavelmente, encaminhados para seus lugares de merecimento.
Mentalmente, aquela força falou apenas uma frase: “Estou aqui para garantir que você não se perca novamente. Chega disso! Levante-se e siga, a partir de agora, o caminho correto.”
Ele, que nada percebia, por que tinha audição e visão espirituais fechadas, naquele instante, pediu a conta, pagou-a, levantou-se apoiado em sua bengala e foi ao encontro da velha senhora que havia socorrido.
Se você esperava aqui uma lenda de Exu, saiba que, Negro Velho quis, através deste conto, mostrar que Exu é um Orixá, um Poder Divino realizador, que atua o tempo inteiro, na vida de todos nós e em toda a Criação. 
É um poder manifestado do nosso Pai Criador. E como Poder Manifestado D’Ele, está à nossa volta o tempo todo.
Caminhe corretamente e tenha o Poder de Exu lhe guardando e direcionando. E saiba, que se não caminhar corretamente, ainda assim, ele lhe direcionará.

Conto Ditado por Pai Thomé do Congo
Anotado por André Cozta
Rio de Janeiro- 25 de janeiro de 2013- 23:15h