domingo, 3 de agosto de 2014

O Nosso Universo Umbandista- Por André Cozta



No nosso Universo Umbandista, convivemos cotidianamente com manifestações divinas, naturais e espirituais.
É neste universo que nos conectamos com o divino, por intermédio dos manifestadores dos Mistérios Maiores (os Orixás Sagrados), sejam eles espíritos humanos atuantes nas linhas de trabalhos (de direita ou de esquerda) ou, até mesmo, espíritos naturais ou encantados, também manifestadores dos Mistérios Maiores. Além, é claro, dos seres divinos manifestadores dos Orixás.
Adentrar um templo umbandista, assistir ou participar ativamente de um trabalho espiritual, de uma engira, é simples.
Não tão simples assim é absorver no íntimo o nosso universo umbandista.
Digo isso, por que, infelizmente, ainda podemos perceber em alguns umbandistas certa resistência às manifestações que ocorrem nos trabalhos, fruto da falta de uma base sólida de conhecimento, o que acarreta na manifestação de preconceitos calcados em mitos criados por pessoas que pouco sabem acerca da lógica da manifestação natural da Fé.
Manifestação natural da fé que é milenar e se reproduz, na atualidade, aqui no Brasil, entre outras religiões, na Umbanda.
E o que é a manifestação natural da Fé? Ora, é a simples manifestação de Deus, Seus Poderes e Mistérios, a partir da Natureza, seus elementos, fenômenos e Divindades.
Então, podemos concluir que num simples galho de arruda há uma manifestação divina? Na chama de uma vela e num copo d’água também?
Sim, nestes elementos citados e em tantos outros mais.
Por que não somos mentalistas, abstracionistas. A manifestação divina se dá, para nós, a partir do que é concreto, ou seja, da Natureza Mãe.
Tudo isso é perfeitamente compreensível, até que barremos no velho preconceito manifestado por muitos que se sentem incomodados com a forma de cultuar o que é divino por nós, os umbandistas.
Pois bem, então, após esta dissertação, meu recado vai para os umbandistas. Pretendo provocar uma breve, porém, profunda reflexão.
Quando adentrarmos um Templo de Umbanda, devemos fazê-lo com reverência, amor, fé, devoção, afinal, estamos entrando na Casa de Olorum, nosso Pai.
Tendo dado este primeiro passo, precisamos compreender tudo o que compõe aquele espaço e também o ritual que se iniciará. E quando falo tudo, é tudo mesmo, desde um incenso, passando pelo defumador, elementos usados pelos guias, imagens e tudo o mais que possa fazer parte da ritualística. Ritualística esta que não é fetichismo, misticismo ou qualquer outra definição maliciosa que se possa dar, é, em si, a manifestação da nossa fé.
Mas, tenho, por um acaso, enquanto umbandista, vergonha de manifestar a minha fé?
Então, respondo o que penso: se eu ainda sinto vergonha de me dizer umbandista aos quatro ventos, se questiono as manifestações, baseando estes meus questionamentos em pré-conceitos advindos de adeptos de outras doutrinas (de onde, em alguns casos, muitos de nós viemos), eu não sou de fato um umbandista.
Se, ainda questiono acender uma vela de anjo de guarda em minha casa, ou de firmar elementos para meus guias, a fim de que possam se servir do axé destes para trabalharem em meu benefício, eu não sou de fato um umbandista.
Com todo o respeito que devo à todas as formas de se pensar a Fé (por que todas são legítimas), coloco aqui, encerrando esta reflexão: somos umbandistas e nosso Universo é Natural.
Prossigamos cultuando e reverenciando o que é Divino a partir da Natureza, pois, o terreiro é uma extensão dos campos de forças naturais e este é e sempre será “O Nosso Universo Umbandista”.