quinta-feira, 26 de novembro de 2009

TERREIRO DEPREDADO EM NOVA IGUAÇU


KAWO KABIECILE!!!!

Reproduzimos abaixo, notícia do Jornal Extra, falando da depredação de um terreiro em Nova Iguaçu no último dia 24.
Apenas pergunto: a quem incomodamos tanto? Por que incomodamos?


SARAVÁ!!!!

26/11/2009 - Policia realiza pericia criminal em centro de umbanda invadido e depredado em Nova Iguaçu.Foto Luis Alvarenga/Extra/Agencia O Globo.

Cerca de 30 pessoas entre judeus, mulçumanos, católicos, umbandistas e candomblecistas acompanharam, na manhã desta quarta-feira, o trabalho da perícia técnica no Centro Espírita Caminhos de Oxum, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O local foi depredado e invadido na madrugada da última terça-feira, dia 24.

Estudos papiloscópicos foram realizados para tentar identificar as digitais dos vândalos. Segundo policiais civis, fitas de vídeo do sistema de seguranda da Igreja Universal do Reino de Deus, que monitora toda a rua onde fica localizado o centro espírita serão requisitados. O caso foi registrado na delegacia de Nova Iguaçu. A polícia não descarta a hipótese de que fiéis da igreja tenham depredado o templo.

Em outubro, o sacerdote Bruno Pereira afirma ter sido alvo de agressão por parte de fanáticos religiosos quando realizava um trabalho de umbanda na rua.

A Comissão de Combate Intolerância Religiosa (CCIR) recebe denúncias sistemáticas de invasão e vandalismo em terreiros de umbanda e candomblé na Baixada Fluminense, São Gonçalo e na Zona Oeste do Rio.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

SOBRE TV E CONSCIÊNCIA- *Por Joyce Nahoum

Queria escrever mais para o blog, mas tenho treinado pouco o auto controle para governar o externo. rs
Queria dividir com vocês minhas agonias mais vezes.
Hoje mesmo, foi um dia de agonias.
Bom, já que comecei, vou adiante. Se quiser, pode postar o que vem a seguir.
Eu fico boba de ver como a caixinha quadrada que emite imagens e sons é um meio de disseminar opiniões obscuras, se assim posso dizer.
E como os programas são "comprometidos" com a diversidade, com os problemas sociais, com as minorias...
Estava me arrumando para sair e liguei a TV para fazer barulho na casa. Assisto pouco a TV, e a cada dia tenho menos prazer em fazer isso.
Passava a reprise do programa "Na Rua" da MTV que foi ao ar na 6a feira, feriado de Zumbi, ou melhor, da consciência negra.
Foi um festival de besteiras ditas pela juventude paulistana (o programa vai ao ar ao vivo, gravado nas ruas de São Paulo), e apoiado pela apresentadora.
Logo a MTV, uma emissora moderninha, com a cara da juventude e com a adesão da juventude, o que é pior. Através do entretenimento, milhares de jovens caem na rede e viram peixe, consomem, se vêem representados, pensam que têm voz e acabam reproduzindo discursos infundados e por vezes perigosos.
Para exemplo de que a coisa é tendenciosa, começaram o programa falando sobre gravidez na adolescência, dando fala à váááárias adolescentes mães e não-mães-ainda, que falaram sobre o que fariam ou o que fizeram quando descobriram a gravidez, e apenas 1 (um) rapaz que por sinal, foi bastante feliz em sua colocação. Podendo-se tirar como uma raridade no exemplo de responsabilidade masculina na criação da "prole surpresa", quando Murph entra em ação e "acontece o que pode acontecer com a sua vizinha, mas não com você".

Se pregamos uma sociedade menos machista, precisamos treinar discursos menos unilaterais. A mulher, a mãe, é sempre responsabilizada. Vejo isso de perto, na minha família.

E se a camisinha furou, coitado do rapaz... Já cumpriu a obrigação de usar camisinha, e o que mais vocês querem?

Bom, depois de começar, assim, como quem não quer nada um programa no dia da consciência negra, foi veiculada uma propaganda de uma Universidade particular, com muitas vagas e condições especialíssimas de pagamento. “Depois não vai dizer que não teve oportunidade!” – palavras da apresentadora...

E em seguida, vejam que coincidência! “Próóóóóximo assunto: cotas!” (num gritinho histérico e desnecessário) Não só nas universidades, mas na TV e agora também até nas empresas (essa eu não sabia ainda).

Ai, me desanima lembrar...

Se me lembro bem, acho que nenhum entrevistado era a favor. Até porque expressar uma opinião divergente da hegemônica é típico da juventude, transgressora na melhor das interpretações... (acho que já foi época).

E os argumentos bailavam entre o senso-comum e a falta de bom-senso.

De “os negros são tão capazes quanto todos os outros” até “todos têm as mesmas oportunidades”. Chega a doer os ouvidos... Ó, meu pai! Viva a democracia! Não sei como a Prefeitura ainda não criou o programa “oportunidade para todos”.

E por fim! O auge do programa, o ponto alto! Dia da consciência negra. A essa altura eu já não esperava mais nada de positivo mesmo... Os comentários descambaram para pior.

“Um dia só para os negros, é preconceito!” (Só para pegar leve, tinham piores) A apresentadora: “É, assim como o dia das mulheres, né?!”

Ô povo reacionário. Deviam parar de ver clipe, acho que fazem mal à visão.

KAWO KABIECILE!!!!

Uma ode à Umbanda, a mais brasileira das religiões.
No texto abaixo, o teólogo Leonardo Boff resume em poucos parágrafos o que muita gente procura descobrir e o que tantos outros não conseguem explicar, traduzir. Mas, além da homenagem, seu texto sintetiza como é e qual a verdadeira função desta doutrina popular.


SARAVÁ!!!!

O encanto dos Orixás

Leonardo Boff
Teólogo


Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do Mistério do mundo, ela alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908, bebendo das matrizes da mais genuina brasilidade, feita de europeus, de africanos e de indígenas. Num contexto de desamparo social, com milhares de pessoas desenraizadas, vindas da selva e dos grotões do Brasil profundo, desempregadas, doentes pela insalubridade notória do Rio nos inícios do século XX, irrompeu uma fortíssima experiência espiritual.

O interiorano Zélio Moraes atesta a comunicação da Divindade sob a figura do Caboclo das Sete Encruzilhadas da tradição indígena e do Preto Velho da dos escravos. Essa revelação tem como destinatários primordiais os humildes e destituídos de todo apoio material e espiritual. Ela quer reforçar neles a percepção da profunda igualdade entre todos, homens e mulheres, se propõe potenciar a caridade e o amor fraterno, mitigar as injustiças, consolar os aflitos e reintegrar o ser humano na natureza sob a égide do Evangelho e da figura sagrada do Divino Mestre Jesus.

O nome Umbanda é carregado de significação. É composto de OM (o som originário do universo nas tradições orientais) e de BANDHA (movimento inecessante da força divina). Sincretiza de forma criativa elementos das várias tradições religiosas de nosso pais criando um sistema coerente. Privilegia as tradições do Candomblé da Bahia por serem as mais populares e próximas aos seres humanos em suas necessidades. Mas não as considera como entidades, apenas como forças ou espíritos puros que através dos Guias espirituais se acercam das pessoas para ajudá-las. Os Orixás, a Mata Virgem, o Rompe Mato, o Sete Flechas, a Cachoeira, a Jurema e os Caboclos representam facetas arquetípicas da Divindade. Elas não multiplicam Deus num falso panteismo mas concretizam, sob os mais diversos nomes, o único e mesmo Deus. Este se sacramentaliza nos elementos da natureza como nas montanhas, nas cachoeiras, nas matas, no mar, no fogo e nas tempestades. Ao confrontar-se com estas realidades, o fiel entra em comunhão com Deus.

A Umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais.

Há um diplomata brasileiro, Flávio Perri, que serviu em embaixadas importantes como Paris, Roma, Genebra e Nova York que se deixou encantar pela religião da Umbanda. Com recursos das ciências comparadas das religiões e dos vários métodos hermenêuticos elaborou perspicazes reflexões que levam exatamente este título O Encanto dos Orixás, desvendando-nos a riqueza espiritual da Umbanda. Permeia seu trabalho com poemas próprios de fina percepção espiritual. Ele se inscreve no gênero dos poetas-pensadores e místicos como Alvaro Campos (Fernando Pessoa), Murilo Mendes, T. S. Elliot e o sufi Rumi. Mesmo sob o encanto, seu estilo é contido, sem qualquer exaltação, pois é esse rigor que a natureza do espiritual exige.

Além disso, ajuda a desmontar preconceitos que cercam a Umbanda, por causa de suas origens nos pobres da cultura popular, espontaneamente sincréticos. Que eles tenham produzido significativa espiritualidade e criado uma religião cujos meios de expressão são puros e singelos revela quão profunda e rica é a cultura desses humilhados e ofendidos, nossos irmãos e irmãs. Como se dizia nos primórdios do Cristianismo que, em sua origem também era uma religião de escravos e de marginalizados, “os pobres são nossos mestres, os humildes, nossos doutores”.

Talvez algum leitor/a estranhe que um teólogo como eu diga tudo isso que escrevi. Apenas respondo: um teólogo que não consegue ver Deus para além dos limites de sua religião ou igreja não é um bom teólogo. É antes um erudito de doutrinas. Perde a ocasião de se encontrar com Deus que se comunica por outros caminhos e que fala por diferentes mensageiros, seus verdadeiros anjos. Deus desborda de nossas cabeças e dogmas.

Leonardo Boff é autor de Meditação da Luz. O caminho da simplicidade. Vozes 2009.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

KAWO KABIECILE!!!!

No dia 24 de maio, publicamos um texto relatando a primeira manifestação do Caboclo das 7 Encruzilhadas, em 15 de novembro de 1908, data que é considerada o marco inicial da Umbanda no Brasil.
Hoje, publicamos um texto retirado do site da TENDA ESPÍRITA FRATERNIDADE DA LUZ- CASA DO CABOCLO DAS 7 ENCRUZILHADAS (www.tefl.com.br) contando a história da encarnação no Brasil do Caboclo das 7 Encruzilhadas.
Boa leitura.


SARAVÁ!!!!

ENCARNAÇÃO NO BRASIL DO CABOCLO DAS 7 ENCRUZILHADAS

"Inicialmente, uma rápida explicação quanto à confusão que alguns irmãos fazem, porque o Caboclo das Sete Encruzilhadas e o Exu Rei das Sete Encruzilhadas são entidades que possuem nomes semelhantes, são quase homônimos, porém espíritos distintos, cada um deles trabalhando espiritualmente em seu nível vibratório. Ambos prestam grandes serviços para a melhoria e desenvolvimento dos espíritos encarnados. Ambos estão em constante evolução, mas não existe qualquer relação de dependência entre eles.

Ao que se tem informação, é que o Caboclo das Sete Encruzilhadas é um espírito muito antigo, já encarnado ao tempo da vinda do Mestre Jesus à Terra e que na roda de suas encarnações jamais apareceu no nível em que trabalham os nossos compadres Exus, como alguns , face à semelhança de nomes , tentam explicar.

No tempo do Brasil Colônia, mais precisamente no Estado do Rio de Janeiro, em uma localidade às margens do Rio Paraíba do Sul, chamada hoje de Barra do Piraí. Precisamente neste local, aonde o rio atingia uma grande largura e o seu leito tomava um aspecto sinuoso, existia uma fazenda de diversas culturas, entre as quais e em maior escala a do café e da cana-de-açúcar.

Tal propriedade era administrada por uma família portuguesa,que ao contrário de outras existentes nas proximidades, não exigia o braço escravo. Os negros que lá trabalhavam recebiam além da casa e alimentação uma remuneração em moeda, por isso era a propriedade mais próspera do local, graças à forma de administração adotada por seus proprietários. Próximo dali, vivia uma tribo de índios da Nação Tupi-Guarani com os quais os fazendeiros mantinham um excelente relacionamento.

O Chefe da tribo era moço e possuía uma razoável cultura, pois fora alfabetizado na Capital, apaixonou-se por uma das filhas do fazendeiro, que correspondeu ao seu afeto, vindo a casar-se com ele e contrariando os costumes de ambas as comunidades. Após a união ela engravidou, tendo que viajar à Capital do Rio de Janeiro para tratamento médico, Demorou-se algum tempo e, ao regressar, recebeu a horrível noticia de que um grupo de índios estranhos na localidade, de surpresa, tentou invadir a fazenda para saqueá-la, os fazendeiros pediram socorro e os guerreiros Tupi-Guarani vieram, mas não puderam impedir que os pais da moça e seus irmãos fossem mortos.

Na batalha, o chefe Tupi-Guarani, seu marido, ficou gravemente ferido, vindo também a falecer em conseqüência. Ao todo, sete pessoas foram assassinadas pela tribo invasora. E todos foram sepultados em uma ilha situada no Rio Paraíba do Sul, dentro da fazenda. E a moça grávida, única remanescente da família de fazendeiros, ia todas as tardes rezar na ilha, junto às sete cruzes que demarcavam os locais onde seus pais, irmãos e esposo foram sepultados.

Porém, em uma dessas tardes em que rezava junto ao túmulo do esposo, sentiu-se em trabalho de parto e ali mesmo deu à luz a um menino, seu filho com o chefe Tupi-Guarani,cujo corpo estava naquele local sepultado. O menino menino cresceu cercado do imenso carinho de sua mãe e recebeu ensinamento proveniente de duas culturas: a cristã adotada por sua mãe e a outra orientada pelo Pajé da tribo de seu pai. Estudou na Capital do Estado e posteriormente na Côrte, recebendo instrução superior de Direito. Como advogado teve intensa atividade profissional em defesa de escravos nos Tribunais do Rio de Janeiro, que eram acusados de crimes pelos senhores de Engenho. Na qualidade de chefe de sua comunidade indígena, disfarçadamente, invadia as fazendas de regime escravo, libertando os cativos e colocando-os em local seguro. Na verdade, ninguém conseguia identificar o chefe que comandava o grupo indígena libertador de escravos, ora ele se apresentava com o aspecto físico de indivíduo alto, ora baixo, às vezes gordo e outras vezes magro, cada ataque era comandado por uma pessoa diferente e assim ele conseguia se manter no anonimato, conseqüente à dupla personalidade. O seu verdadeiro nome era Caboclo das Sete Cruzes Ilhadas, por ter nascido no local onde existiam sete cruzes em uma ilha, porém o povo por corruptela o chamava de Caboclo das Sete Encruzilhadas, nome que ele adotou humildemente, até mesmo em sua vida espiritual. Tal nome ficou fixado pelo povo escravo, que o adorava, e quando o grupo surgia na estrada eles cantavam uma toada que tinha a seguinte letra:

"Lá vem , lá vem , bem longe na estrada, lá vem,lá vem, o Caboclo das Sete Encruzilhadas "

A nossa Casa mantém, desde a sua fundação, em seu ritual de abertura e encerramento de suas sessões espirituais, um ponto ou curimba com as mesmas características daquela toada, com que era saudado pelo povo escravo:

" Chegou (ou subiu), chegou, o Caboclo das Sete Encruzilhadas "

Acreditamos que a melodia deste ponto seja a mesma da toada dos escravos. Após ter desencarnado, voltou através da mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes, em Novembro de 1908, como espírito mensageiro, colocando as bases da Umbanda, no Rio de Janeiro. Antes do ano de 1948, um grupo liderado por Henrique Landi Junior, nosso fundador, várias vezes dirigiu-se à cidade vizinha de Niterói, na busca de uma entrevista com o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que nem mesmo o seu médium Zélio, sabia o dia e a hora em que voltaria a incorporar. Quando aconteceu o encontro o Caboclo forneceu a orientação para a fundação da Tenda Espírita Fraternidade da Luz, fato que ocorreu em 8 de Abril de 1948, pautado nas normas umbandistas adotadas pela entidade.

E ao terminarmos este relato, não poderíamos deixar de considerar aqui o nosso pleito de gratidão a Zélio Fernandino de Moraes, médium do Caboclo das Sete Encruzilhadas, veículo através do qual esta luminosa entidade nos legou a maravilhosa Umbanda, fundamentada na máxima crística:

Fé - Esperança - Caridade"