domingo, 9 de outubro de 2011

O GUARDIÃO DA MEIA-NOITE E O GUARDIÃO DAS 7 PORTAS

Reproduzimos abaixo, um trecho do livro O GUARDIÃO DA MEIA NOITE (Rubens Saraceni/Editora Madras) que compõe o material de apoio do curso virtual Teologia de Umbanda Sagrada, ministrado por Alexandre Cumino, através da plataforma UMBANDA EAD do Instituto Cultural Aruanda- www.ica.org.br-. Boa leitura!

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Diálogo entre o Guardião da Meia-Noite e o Guardião das Sete Portas

(Guardião da Meia Noite) E eu pensei:
“Como era poderoso o Guardião dos Sete Portais das Trevas”, que leu o meu pensamento.

(Guardião das Sete Portas) - Não pense que consegui o meu poder sendo um tolo. Sempre dormi com um olho aberto. Nunca deixei uma ofensa sem resposta, nem um inimigo mais fraco sem conhecer o meu poder.
Nunca deixei de respeitar um igual ou de temer a um mais forte. Foi assim que consegui tanto poder. Também nunca saí da lei do carma. Não derrubo quem não merece, nem elevo quem não fizer por merecer. Não traio a ninguém, mas também não deixo de castigar um traidor. Leve o tempo que for necessário, eu o castigo. Não castigo um inocente, mas não perdoo um culpado. Não dou a um devedor, mas não tiro de um credor. Não salvo a quem quer se perder, mas não ponho a perder quem quer se salvar. Não ajudo a morrer quem quer viver, mas não deixo vivo quem quer se matar. Não tomo de quem achar, mas não devolvo a quem perder. Não pego o poder do senhor da Luz, mas não recuso o poder do senhor das Trevas. Não induzo alguém a abandonar
o caminho da Lei, mas não culpo quem dele se afastou. Não ajudo alguém que não queira ser ajudado, mas não nego ajuda a quem merecer. Sirvo à Luz, mas também sirvo às Trevas. No meu reino eu mando e sei me comportar. Não peço o impossível, mas dou apenas o possível. Nem tudo que me pedem eu dou, mas nem tudo que dou é porque me pediram. Só respeito à Lei do Grande da Luz e das Trevas e nada mais. É por isso que o
Grande exige de mim, portanto, é isto que eu exijo dos que habitam o meu reino. Não faço chorar o inocente, mas não deixo sorrir o culpado. Não liberto o condenado, mas não aprisiono o inocente. Não revelo o oculto, mas não oculto ao que pode ser revelado. Não infrinjo a Lei e pela Lei não sou incomodado. Agora sabe de onde vem meu poder, senhor da Meia-Noite. Eu sou um dos sete guardiões da Lei nas Trevas; os outros seis, procure e a Lei lhe mostrará.

(Guardião da Meia Noite) - Por que o senhor não socorreu o Cavaleiro em sua queda?

(Guardião das Sete Portas) - Foi a Lei Maior que o determinou, por isto eu me calei. Mas quando Ela saiu em seu auxílio, eu arrasei o reino de Lúcifer para saber onde estava o Cavaleiro e acabei descobrindo, pois foi a Lei que me ordenou que assim o fizesse. Ele teve que calar-se e entregar-me o culpado.

(Guardião da Meia Noite) - Obrigado, Guardião dos Sete Portais das Trevas, deu-me uma lição sábia. Sou seu devedor.

(Guardião das Sete Portas) - Nada me deve, Senhor da Meia-Noite. Gosto de ensinar a quem quer aprender, mas também gosto de castigar a quem aprende e faz mau uso do saber.

(Guardião da Meia Noite) Ele bateu o pé esquerdo e o recinto se encheu de entidades que haviam sido religiosos quando na carne.

(Guardião das Sete Portas) - Eis aí um exemplo do mau uso do saber. Eles aprenderam tudo o que precisavam para suas missões na terra, mas não seguiram o que pregaram. Usaram do que sabiam em benefício próprio ou para arruinar aos que acreditaram neles.
Olhe bem, Guardião da Meia-Noite, e verá que os que se diziam sábios, iluminados, profetas, grandes lideres religiosos ou grandes sacerdotes não passavam de otários, idiotas, tolos, imbecis, cegos e mal intencionados. Verá entre eles todo tipo de defeito e nenhuma qualidade. Eram lobos uns, pois se aproveitavam e comiam suas ovelhas e hienas, outros pois se contentavam em consumir os restos deixados pelos lobos. Uns e outros hoje choram pelo erro cometido, pela oportunidade perdida e pela luz não
conquistada. Viveram do mundo e não pelo mundo. A Lei não os perdoou e os entregou a mim. Eu dou-lhes o que merecem porque sou um guardião da Lei das Trevas e esta é minha função. A Lei não iria colocar um ser bom e iluminado para castigar os canalhas nem colocaria um carrasco como eu para premiar aqueles que venceram suas provas. Não! Os guardiões da Lei na Luz têm uma função como a minha, mas afeta a Luz: não
deixam cair quem se fez por merecer à ascensão. Eu não deixo subir aos que se fizeram por merecer a queda.
Eu sou a mão que castiga, a outra é a que acaricia. Eu sou a mão que derruba, a outra a que levanta. Tudo isto eu sou e ainda assim não sou infeliz, triste, arrependido ou ruim. Não sofro de remorso por castigar aquele que a Lei derrubou, assim como um guardião da Lei na Luz nada sente ao premiar a quem merecer. Eu sou o que sou, um guardião da Lei nas Trevas e me orgulho disto porque sei que sou necessário à Lei. E tudo isto você
também é, ou será se assumir todo o seu passado, resgatá-lo e se sentir feliz em servir à Lei. Ela o recompensará quando assim quiser, não porque você peça qualquer recompensa pelo seu trabalho, mas porque a serve sem se lamentar por estar nas Trevas, pois Luz e Trevas são os dois lados do Criador. Há os que trabalham durante o dia e dormem à noite, mas também há os que trabalham de noite e dormem durante o
dia. Há os animais que só saem de sua morada sob o sol e aqueles que só o fazem sob o luar. Há o verão, mas há também o inverno. O que um aquece o outro esfria e vice-versa. Há a primavera, mas há também o outono: o que um faz brotar o outro faz se recolher e vice-versa. Há o fogo para queimar e a água para saciar a sede.
Há a terra para germinar e há o ar para oxigenar. Há tantas coisas, e no fim são somente partes do Um. Por isto lhe digo, Guardião da Meia-Noite, há os anjos e há os demônios. Os anjos habitam na Luz e os demônios nas Trevas. Uns não condenam aos outros, pois sabem que são o que são porque assim quis o Criador. Aqueles que vivem no meio é que criam tanta confusão com suas descidas na carne. Do nosso lado, não há nada disto.
Cada um sabe a que lado pertence. E os que não sabem, são os primeiros de quem nos apossamos. Esta é a Lei que nos rege e a todo o resto da Criação. Mais não vou falar, pois precisaria de muito tempo para tal coisa.
Espero que possa sair daqui melhor servidor da Lei do que quando chegou.

(Guardião da Meia Noite) - Eu agradeço suas palavras, Guardião dos Portais. Pena que eu seja muito pequeno para ajudá-lo, senão eu diria: se precisar de minha ajuda é só pedir!

(Guardião das Sete Portas) - Pois ainda lhe digo que a maior das pirâmides não prescinde da menor de suas pedras; a maior das aves de sua menor pena nem o maior teto de sua menor telha; e nem o maior corpo do seu menor dedo. O maior rio não rejeita a menor gota da chuva nem o maior exército ao seu mais fraco soldado. O maior rico é aquele que valoriza o menor dos seus bens. Muito mais eu poderia dizer, mas me satisfaço em dizer-lhe: obrigado Guardião da Meia-Noite! Se eu precisar de seu auxílio não terei vergonha em lhe pedir, pois por terem vergonha muitos morrem. Morrem por terem desejado algo e não terem provado seu gosto. Vergonha não faz parte do meu vocabulário e a palavra que mais prezo é a que se chama “respeito”. Aja assim e não será traído nem odiado, mas respeitado. Nem os maiores passarão por cima de você e nem os
menores lhe escaparão.

Ele parou de falar.

(Guardião da Meia Noite) - Até à vista, Guardião dos Sete Portais das Trevas!

(Guardião das Sete Portas) - Até à vista, Guardião da Meia-Noite!

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Caso passe este texto cite estas fontes: texto extraído do livro “O Guardião da Meia Noite” (Editora
Madras / Rubens Saraceni – Pai Benedito de Aruanda)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011



União de Espíritos, Encantados e Naturais em prol da Humanidade

Magia Divina, atuando através da religiosidade e cultura

Brasileiras nos 7 Sentidos da Vida

Agregando os seres por intermédio da Fé na senda Evolutiva, cultuando a

Natureza através dos Sagrados Orixás, Poderes Manifestados de

Deus, Pai Maior e Divino Criador. Caminho que leva à Ele pela via do

Amor

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

LEIA O TEXTO "A CHAVE DA EVOLUÇÃO" NO BLOG O LAVRADOR:

www.olavrador.wordpress.com


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A HUMILDADE NA MAGIA, A MAGIA NA HUMILDADE- Por André Cozta



Percebo cada vez mais, entre as pessoas, nos dias atuais, a necessidade em encontrar soluções rápidas e “fulminantes” para seus desejos, anseios e seus problemas, até mesmo.

Muitas vezes assim agem, tomadas pela vaidade que, diga-se de passagem, atua de forma muito competente e eficaz no quesito “cegar” os seres para o que está à sua volta e para o que realmente importa.

Por isso, uso este espaço, para dizer a quem a ele chegou, que, há muito, convenci-me de que, o que realmente importa, é o crescimento espiritual. E que todo e qualquer outro (leia-se: crescimento e evolução material) será uma conseqüência natural, caso esteja o ser realmente imbuído em evoluir espiritualmente.
Porque, caro leitor, queira ou não, creia ou não, admita ou não, a realidade é que tudo (ou, grande parte, ao menos) do que se mostra aos nossos olhos no plano material, tem vida curta, pois, começa, desenvolve-se e termina por aqui.
E nós, seres humanos em constante evolução, seguimos em frente, afinal, há outras dimensões, realidades, planos da vida, por onde já passamos e por onde deveremos passar ainda, num futuro bem menos distante do que é capaz de vislumbrar nossa fértil imaginação.

Estou escrevendo isto, neste momento, neste blog, porque, como já disse anteriormente, tenho preocupado-me bastante com atitudes que vejo por parte de muitas pessoas que não conseguem enxergar um palmo à frente do nariz. Vivem banhadas em conceitos errôneos acerca de Deus e das coisas divinas. Conceitos estes, é verdade, nutridos ao longo dos tempos pela Igreja Católica e, mais recentemente, pelas igrejas pentecostais ou evangélicas, que fizeram e fazem o favor de demonizar tudo o que não conseguem explicar e/ou não lhes é conveniente.
Afinal, àqueles que realmente tiverem clareza acerca de Deus, Seus Tronos Divinos (os Sagrados Orixás, responsáveis pela evolução de tudo e todos), não conseguirão estas religiões abstratas (parafraseando o Senhor Mestre da Luz Pai Benedito de Aruanda, nas obras escritas por seu médium, o Mestre Rubens Saraceni), dominar e controlar suas mentes.

E as religiões, em grande parte, durante a história da humanidade, vêm servindo de braço ou muleta para projetos políticos ou pessoais, tendo afastado-se, cada vez mais, da sua real essência, que é Deus.

Sim, caro leitor, uso este espaço, para afirmar que, muitas das religiões ainda estabelecidas e que conhecemos muito bem, constroem seus templos que mais parecem castelos de outras épocas, a fim de encher os olhos das pessoas e atrair adeptos, mas, em verdade, estão afastando estas pessoas de onde está Deus: na Natureza.

Houve um tempo (e bota tempo nisso!) em que Deus e Suas Divindades eram cultuados na Natureza. Se me chamarem de louco, por eu dizer que assim era em Atlântida, Lemúria, pois, não há comprovação científica disso, posso rebater dizendo que assim era na África, há alguns milênios, o Culto aos Orixás.

E acabo chegando numa questão polêmica e controversa.

Muitos combatem estas divindades, que são, nada mais, nada menos, do que qualidades/poderes manifestados de nosso Pai Maior e Divino Criador, com unhas e dentes. Pois, sabem que elas falam e tocam no coração das pessoas como nenhuma outra “doutrina de salão” consegue fazer.

Reitero aqui todo o respeito que tenho e que se deve ter por qualquer doutrina religiosa, afinal, toda religião estabelecida aqui no plano material tem sua função e atende a necessidades específicas. Mas, não posso deixar de frisar este aspecto.

Historicamente, as religiões naturais vêm sendo combatidas pelas religiões abstratas. Se assim já era, por exemplo, na Europa, onde a Igreja Católica combatia o “paganismo”, pois, via no culto à natureza uma ameaça a seus dogmas e doutrina, não tem sido diferente aqui no Brasil, especialmente, com relação à Umbanda e Candomblé.

São religiões naturais e magísticas sim!
Porque são religiões que cultuam a Deus e Suas Divindades manifestadoras de Seus Poderes, que estão na Natureza, regem-na e são a própria Natureza. Doa a quem doer! Deus está na Natureza!

Comprove, de modo simples: vá a um templo de qualquer religião (inclusive, de Umbanda, Candomblé ou Espiritismo), participe do ritual, conecte-se com Deus. Depois, vá para baixo de uma árvore e pratique a mesma conexão. E depois, volte ao templo.

Quero que fique bem claro aqui, que não estou pregando uma debandada dos templos religiosos, mas, apenas sugerindo, que você leve a Natureza para dentro do templo religioso que falar ao seu coração. Levando a Natureza, estará levando Deus dentro de você. Esta é a ordem real dos "fatores", tenha certeza!

Após fazer isto, volte a este blog e deixe um comentário. Ou, me xingue, pelo email umbandaemagia@gmail.com. Tenho certeza de que receberei mais declarações positivas, afirmando concordância com o que escrevi, do que xingamentos.

Sintetizando: Deus está em tudo. Está na Natureza. É a própria Natureza. Deus é pura magia.

Magia, também pode ser definida como a movimentação de energias elementais (ou naturais) através da mente. Então, você pode me dizer em que momento Deus não está nessa definição?

Todo este meu discurso, falando de Deus, dos Sagrados Orixás, num texto que pretende falar sobre Magia e Humildade, apenas introduz o que penso acerca de um assunto que tem me preocupado bastante.

Ora, historicamente, o ser humano sempre buscou “magia” em tudo. E sempre encontrou, quando quis, a magia em sua fonte original: Deus, nosso Pai Maior e Divino Criador. E nas religiões naturais, “ao natural”, a “Magia Divina” sempre manifestou-se.

E parece óbvio, se você concordar que Deus e Suas Divindades estão na Natureza, que Sua Magia e a cura para todos os males nela estejam.

Porém,, com o passar do tempo, muito bem monitoradas pelo materialismo e pela vaidade, através da maravilhosa e inventiva mente humana, começaram a surgir as “magias” que traziam as soluções rápidas, momentâneas e, até mesmo, que davam vazão aos vícios sentimentais de algumas pessoas, inflando seus egos.

Então, alguns começaram a praticar magias com o intuito mesquinho de atingir desafetos, desafiando a Lei Maior e a Justiça Divina e praticando sua própria justiça, aplicando sua própria lei.

Tornou-se comum encontrarmos aqueles que oferecem “serviços” de amarração, amor em 3 dias, entre outros, seja em ditos templos religiosos ou em ambientes similares. E, ao contrário do que muitos pensam, tem muita gente procurando por estes “servicinhos”. Porque, é a lei de mercado, só há muita oferta quando há muita procura.

Parafraseando meu Mestre em Teologia de Umbanda, Alexandre Cumino, que diz: “Umbanda é religião e por isso só faz o bem”; eu digo:” Toda e qualquer religião só faz o bem.’

Aquele que pratica “religião” às avessas, está usando, tenha certeza, o nome da religião, seja qual for, para escamotear seus negativismos, sua mesquinharia.

Então, concluo este texto, deixando um recado, que penso, pode servir para a reflexão de muitas pessoas: a verdadeira Magia está em Deus e, engana-se, aquele que vê Deus e as coisas Divinas com os “olhos da vaidade”.

A magia, realmente, está na humildade, no amor a Deus e ao próximo e na caridade.
Magia não é comércio. Atente bem para isto.

Humildade, a maior de todas as magias.

Quando o ser consegue realmente nutrir seu coração com este Verbo Divino, com certeza, de forma “mágica” e eficaz, consegue dissipar muitos dos problemas que o incomodam, sem precisar de fórmulas mágicas mirabolantes ou pagar caro por algum tipo de “feitiçaria”.

Pratique magia amando a Deus e aos Divinos Tronos acima de tudo.

Ele, nosso Pai Maior e nossos Amados Pais e Mães Orixás, querem, com certeza, nos ver praticando a magia do amor e da humildade.

SARAVÁ!!!!




























terça-feira, 23 de agosto de 2011



Saravá a todos os irmãos leitores deste Blog! Reproduzimos abaixo, um texto de autoria de Alexandre Cumino que compõe o material de apoio do curso virtual Teologia de Umbanda Sagrada, ministrado pelo próprio Alexandre Cumino, através da plataforma UMBANDA EAD do Instituto Cultural Aruanda- www.ica.org.br-. Boa leitura!

QUEM É ORIXÁ EXU- Por Alexandre Cumino




A origem cultural do Orixá Exu está na África de cultura Nagô-yorubá, sem, no entanto dispensar a influência da cultura Gêge-fon de Elegbara.
Essa cultura africana é muito diferente da cultura europeia de base judaico-cristã, os limites entre sagrado e profano ocupam espaço diferente e a realidade é compreendida numa dimensão menos racionalizadora de nossos sentidos. Todo o mundo ocidental bebeu na influência do Iluminismo, Positivismo e Racionalismo. Quando falamos em cultura africana, falamos de um povo que tem a consciência de que a razão não dá conta de explicar o todo que está a nossa volta; dentro, fora e além do ser em suas realidades imanentes e transcendentes.
Exu ironiza a vida, ri da desgraça, dança sobre o fogo e domina a ilusão, principalmente aquela que nos envolve pelo ego, materialismo e vaidade. Ele domina todos os sentidos do apego, conhece nossas vaidades e vícios. Talvez por isso seja considerado o mais humano dos orixás e passa a ser o mais “temido”, pois quando Exu se mostra “igual a nós” ele nos assusta, simplesmente porque quer nos mostrar a dualidade humana, que hora nos leva para a luz e hora nos puxa para as trevas. Céu e Inferno, tudo ao mesmo tempo em nossa mente, o maior juiz, Exu joga e brinca com todos esses valores, e por isso ele assusta uns e faz temer a outros, no entanto, é tão Orixá quanto Oxalá, e as lendas mostram o quanto ele pode ser amigo, fiel, querido e até servo (mas não serviçal), pois é também senhor da magia, dos caminhos, das encruzilhadas, das portas e passagens, é quem permite a comunicação. E também é bem como mal, tanto amigo quanto inimigo, luz e trevas, Céu e Inferno.
A dualidade do Orixá Exu é como espelho refletindo a dualidade humana, sempre bom para quem é bom, mau para quem é mau, inimigo de quem é inimigo do sagrado.
Orixá Exu é o primeiro a ser saudado, logo, quem não saúda Orixá Exu não está saudando ninguém, numa cultura em que a religião é exclusivamente de Orixá, quem não está com Orixá Exu está desamparado, quem não tem respeito por Orixá Exu não tem respeito por ninguém, quem não reverencia Orixá Exu não reverencia o Sagrado, e aí chegamos ao conceito de que: “se você não saúda ou não oferenda Exu, ele te prejudica”. É uma forma de fazer compreender que Orixá Exu é Primordial, Essencial, Principal, Primeiro, e quem não está com Orixá Exu está sozinho e, sozinho, está por conta própria.
Porque Orixá Exu é “inimigo” do “inimigo” da fé (e não do homem), Exu é “contrário” àquele que está “contrário” à tradição (e não da vaidade), pois quem vai contra todos os valores milenares de sua tradição passa a ser uma ameaça ao que gerações e mais gerações lutaram para preservar. Aqui Orixá Exu atua como “instinto de preservação”, atendendo ao clamor de vozes ancestrais por proteção de sua cultura, povo e valores. Força, poder, vigor e fertilidade são alguns dos atributos que se vê e busca em Orixá Exu, é o que isso representa em sua origem cultural e para as outras culturas que hoje reinterpretam estes mesmos atributos em outro contexto.
Evocado e invocado pelos sentimentos mais nobres de uma tradição que busca sobreviver, Orixá Exu renova-se e recicla-se nos encontros e desencontros culturais de um País Miscigenado, de uma cultura heterogênea, na qual igual é ser diferente. Negro, Branco e Vermelho são as cores de base desse povo. Preto, Vermelho e Branco são as cores que Orixá Exu assumiu para si.
Quem nasce no seio da cultura de Exu (nagô-yorubá) e o respeita demonstra respeito por seus ancestrais e por todos os valores da terra. Exu é guardião desta terra, destes valores, é o Primeiro ser a vir ao mundo, é o ancestral de todos os ancestrais, desrespeito aos ancestrais é desrespeito a Exu, e daí é que vêm as lendas e conceitos de que Exu pune, Exu é vingativo, Exu é perverso, Exu é o mal, tanto quanto o bem... Pois a sua atuação para o bem ou para o mal muda segundo o ponto de vista de quem lhe observa. Para alguns interessa ter em seu panteão uma divindade que assuste e um mistério para seus interesses mesquinhos, que é na verdade apenas um espelho deles mesmos. Um dia entenderão que todo o mal que viam em Exu estava neles mesmos. Ainda assim muitos creem que Exu pode ser bom e ser mau ao mesmo tempo, ser neutro e manipulável.
Interprete Orixá Exu à luz de Oxalá, ao Amor de Oxum, à Lei de Ogum, com a Justiça de Xangô, nos Seios de Iemanjá, sob o Olhar de Egunitá. Como irmão de Oxóssi, melhor amigo de Orumilá-Ifá, caminhando com Omulu, curando com Obaluaê, deitado no colo de Nanã Boroquê. Exu que ouve Obá, dança com Iansã e troca receitas com Ossaim. Orixá Exu, Amor de Orixá Pomba-gira e ídolo de Orixá Exu Mirim. Orixá Exu nos mostra que todos são mistérios de um Mistério Maior. Todos os Orixás são partes de um Todo chamado Olorum. Nenhum é mais ou menos, todos têm seu grau de importância e função na criação, todos têm uma origem comum.
Exu é Orixá e Orixá é Sempre uma Divindade que Representa o Sagrado Transcendente.
Por isso não é tão fácil ler sobre Exu e saber interpretá-lo, além das palavras, compreender nas entrelinhas e estar acima de qualquer adjetivo negativo que lhe seja atribuído.
Afinal...
Exu se diverte com tudo isso.
Exu ri da ignorância humana.
Exu está acima do medo.
Exu está acima da vaidade.
Exu está acima de nossas visões humanas.
Exu mergulha em nossas paixões.
Exu sobe ao Céu e desce ao Inferno.
Da Luz as Trevas e das Trevas à Luz.
Quem pode com Exu?
Quem pode entender Exu?
Quem já esteve na Luz e nas Trevas e saiu ileso?
Não temos a menor ideia do que seja Luz Absoluta ou Trevas Absolutas,
Atribuímos conceitos humanos e limitados ao que consideramos luz e trevas.
Racionalizamos e consideramos relativos o bem e o mal segundo nosso interesse.
Exu está além de nossa compreensão e sabe que Ele mesmo é um mistério.
Exu transcende o humano e ao mesmo tempo se mostra humano.
Exu confunde esclarecendo e esclarece confundindo.
Ele brinca com o Ego e a Vaidade que Ele mesmo não tem.
Nós humanizamos Exu para torná-lo compreensível, e Exu ao se fazer compreensível mostra que somos patéticos,
Somos medíocres ao querer medir, pesar e rotular o transcendente.
Exu é um desses mistérios que nos coloca de frente com nossas paixões, nossos desejos, nossos apegos, nossos valores como num espelho.
Portanto, quando falar de Exu preste bem atenção, estará falando de si mesmo.
Pessoas Infelizes consideram Exu o mal,
Pessoas Medianas o consideram neutro,
Pessoas Despertas sabem que Exu é Luz.
Atribua valores de Luz ao Orixá Exu e ele se mostrará Luz a Você,
Aceite que Ele é um Mistério Sagrado do Divino Olorum e
Ele se mostrará Divino e Sagrado a você.
Exu assume e adota muitos dos valores que nós lhe atribuímos.
Porque a dualidade de Exu não é nada mais que o espelho da dualidade humana.
Exu é Vazio e cada um de nós escolhe com quais valores preenche este Vazio.
Bem... Espero que este texto sirva de introdução para a leitura de muitos outros textos aos quais a leitura e interpretação muitas vezes se fazem muito humanas. Lendas e Mitos que devem ser interpretados, mistérios que ocultam e revelam ao mesmo tempo. A quem tem olhos para ver o sagrado Ele se revela. A quem não tem Ele se oculta, em seus medos e fobias, afinal iniciado é quem venceu a morte e seus próprios medos e ao vencê-los faz uma outra leitura do mundo. E, como diria um certo oráculo, “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os Deuses e o Universo”, podemos dizer “Conhece-te a ti mesmo, ser humano, e conhecerás Orixá Exu, o mais humano dos Orixás”.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011



Saravá a todos os irmãos leitores deste Blog! Reproduzimos abaixo, um texto de autoria do Sr. Rubens Saraceni, que compõe o material de apoio do curso virtual Teologia de Umbanda Sagrada, através da plataforma UMBANDA EAD do Instituto Cultural Aruanda- www.ica.org.br-. Boa leitura!