terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Mikael- Parte 4 (Epílogo)... Por André Cozta*
Ele não sabia o que pensar, então, resolveu sair, beber, divertir-se. Desceu Santa Tereza rumo à Lapa.
Lá, sentou-se em um botequim e começou a beber. O tempo foi passando e Mikael embriagando-se. Olhava as pessoas passando na rua, observava cada movimento daquele pedaço da cidade.
De repente, sentiu vontade de chorar, mas, segurou a emoção.
Pôs a mão no bolso da calça e puxou o amuleto vermelho e preto. Não lembrava-se de ter posto aquele amuleto no bolso. O amuleto emanou uma luz vermelha e, instantaneamente Mikael olhou para a porta do bar e viu um homem sorrindo. Era um homem de cavanhaque e cabelos negros, olhar firme, sorriso largo. Telepaticamente, ele ouviu: "- Venha comigo, Mikael."Mikael pagou a conta, levantou-se e saiu do bar.
Caminhava em direção à Santa Tereza. O homem atrás dele, começou a conversar telepaticamente:"- É a mim que você acionará através do amuleto vermelho e preto sempre que precisar. Sempre que estiver na rua e precisar de ajuda, estarei por perto. Aliás, sempre que você está na rua estou por perto, mesmo quando você não me vê. Eu sou o dono de todas as ruas, de todas as encruzilhadas, domino e mando na rua, em qualquer lugar que você imaginar."
"- Mas, quem é você?- indagou Mikael telepaticamente.
"- Sou o 7 Encruzilhadas, o Exu das 7 Encruzilhadas, o seu protetor, o seu guardião, o dono da rua!"- O homem deu uma gargalhada estrondosa.
Mikael, neste momento, lembrou-se quando Aganju consagrou os amuletos e entregou-lhe. Chegou em casa e percebeu que havia caminhado uma distância enorme sozinho (normalmente, pegaria um táxi) sem medo algum.
Ao chegar ao portão, olhou para trás e seu guardião falou telepaticamente: "- Tá entregue, mureque."
Mikael sorriu para o guardião e entrou em casa. A sua tontura resultante do que havia bebido, desaparecera em parte.
Já em seu quarto, ele guardou o amuleto vermelho e preto na gaveta de sua cômoda, pegou o amuleto preto e branco, fixou o olhar nele e viu uma luz emanar do objeto, passar por sobre sua cabeça e ir para a parede que estava às suas costas. Ouviu uma risada fina e marota, parecendo ser a risada de um velhinho. Imediatamente olhou para trás, um portal de luz abriu-se e apareceu um Preto Velho sentado em um toco de árvore, com uma bengala marrom de madeira à mão direita e apoiada sobre sua perna direita que era dura e esticada. À mão esquerda, o negro velho baforejava um cachimbo marrom de madeira. De vez em quando, o velho largava a bengala sobre a perna direita para beber um vinho em uma cumbuca de cabaça.
Mikael perguntou:- Quem é o senhor? O Preto Velho soltou sua fina gargalhada e disse:
- Eu sou, meu fio, aquele que seu pai falou e enviou pra cuidá do sinhô.
- Mas, qual é o seu nome?- Pai Thomé, fio, meu nome é Pai Thomé. Quando Xangô Aganju deu pro sinhô o amuleto preto e branco ele me deu a missão de cuidá do sinhô. Então, eu tô aqui, pra fazê com que o sinhô cumpra tudo que tá escrito, fazê que o sinhô siga sua jornada sem balançar. O homem que trouxe o sinhô até aqui, o do amuleto vermeio e preto vai cuidá dos seus caminhos na rua, mas, quem vai cuidá da sua cabeça, dos caminhos que o sinhô vai traçá na vida e também vai prestá conta pro seu pai, sou eu fio.
- Entendi, mas, o que eu devo fazer pra cumprir tudo isso? É muito difícil?
O Preto Velho, pacientemente pitou seu cachimbo e, em seguida, respondeu:
- Nâo é difícil, fio. O sinhô só tem que mantê a sintonia com nego véio. Todo dia, quando acordá, pega o amuleto preto e branco, olha pra ele e conversa com nego véio. O sinhô não vai enxegá nego véio toda hora como tá vendo agora, mas, vai ouví tudo que nego véio falá no seu côco, na sua cabecinha.
Mikael ficou pasmo, olhando para aquele homem que transmitia uma paz imensurável. O Preto Velho prosseguiu:
- Fio, nego véio veio só pra se apresentá. Agora, o sinhô vai descansá, porque amanhã começa a trabaiá.
Mikael esboçou falar algo para o Preto Velho, mas, o portal fechou-se. Ele ficou intrigado, mas, neste momento, passou a entender perfeitamente o porque dos acontecimentos dos últimos dias em sua vida. E naquela noite dormiu tranquilamente como já não acontecia há muito tempo.
No dia seguinte, acordou-se, alimentou-se calmamente com um café-da-manhã especialíssimo que preparou. Estava muito feliz, radiante, pois, sabia que a partir daquele dia sua vida mudaria, a partir daquele dia sua vida tomaria uma nova forma, teria um novo sentido, o sentido real e definitivo. Após o café, resolveu ligar para Andrea, que o convidou para jantar. Encontraram-se à noite em um charmoso restaurante em Santa Tereza.
- Meu francesinho, quanto tempo! Ai, que saudades! Olha, muitas coisas aconteceram em minha vida nos últimos tempos. Preciso te contar.
- Na minha também, Andrea. Aliás, eu pensei muito em você quando soube da morte brutal do seu amigo, lá no centro da cidade. Lembro-me bem dele em algumas vezes que o encontrei com você na Lapa. Mesmo com o pouco contato que tive com ele, não tinha como não perceber sua doçura, a paz em seu olhar, seu semblante. Era uma pessoa diferenciada, não é mesmo?
- Com certeza, meu amigo (Andrea estava com a voz embargada e os olhos marejados). Ele era uma pessoa especial e diferenciada. E o poeta já disse "é tão estranho, os bons morrem jovens", mas, sinceramente, eu não consigo entender esse tipo de coisa. A saudade ainda dói, Mikael, mas, eu tenho certeza de que ele está muito bem, bem cuidado, foi bem encaminhado. Mas, enfim, Deus sabe o que faz. Me fala de você, meu francesinho.
- Ah, Andrea, muitas coisas aconteceram, mas, o mais importante, é que hoje eu tenho firmeza e certeza do que quero para mim e para minha vida.
Mikael preferiu não entrar em detalhes dos acontecimentos espirituais que mudaram sua vida. Continuou conversando com a amiga vários assuntos. Após o jantar, deixou-a em sua casa no Leme e voltou para Santa Tereza.
7 dias após o encontro, Mikael recebeu um telefonema de Andrea:
- Oi Mikael, seu sapeca! Se eu não te ligar a gente não se fala, porque você nunca me liga, né?
- Ah, desculpa, Andrea. Tenho andado recolhido pensando e planejando meu futuro.
- Tudo bem, eu te perdoo. Mas, deixa eu te falar uma coisa: tenho um amigo que dirige uma ONG na Maré. A partir do mês que vem, ele terá um escritório desta ONG na Lapa. Está com dois projetos: um de restauração dos Arcos e dos prédios da Lapa e outro de construção de casas populares na Maré para melhorar a qualidade de vida daquelas pessoas, extinguindo os barracos e trocando por moradias dignas. E, por conta disso, precisa de um arquiteto. Pensei em você. Topa?
Mikael, com os olhos marejados, respondeu à amiga:
- Topo agora. Estava esperando por este momento, Andrea.
- Então, vou passar seu telefone para ele conversar melhor com você, pode ser?
- Claro, claro. Vou aguardá-lo.
- Então está bem, amado! Vou desligar, pois, preciso trabalhar. Depois, me conta como foi o papo de vocês, tá?
- Pode deixar, Andrea.
- Tchau, nego.
- Tchau, querida.
Mikael desligou o telefone e pensou em tudo o que Aganju havia lhe falado no castelo. Lembrou-se de sua conversa com o Pai Thomé e pensou: "- Meu Deus, agora eu sei o que será, o que está sendo de mim!".
Foi para a janela, olhou para as estrelas e para a lua cheia. Voltou a olhar para as estrelas e fixou o olhar nas 3 Marias. E entre estas estrelas, viu Aganju parado, em pé, com as asas eretas e reluzentemente brancas, braços cruzados sobre o peito com o machado de duas faces na mão direita, a espada de ouro na mão esquerda e sorrindo para seu filho.
FIM
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
TERREIRO DEPREDADO EM NOVA IGUAÇU
KAWO KABIECILE!!!!
Reproduzimos abaixo, notícia do Jornal Extra, falando da depredação de um terreiro em Nova Iguaçu no último dia 24.
Apenas pergunto: a quem incomodamos tanto? Por que incomodamos?
SARAVÁ!!!!
Cerca de 30 pessoas entre judeus, mulçumanos, católicos, umbandistas e candomblecistas acompanharam, na manhã desta quarta-feira, o trabalho da perícia técnica no Centro Espírita Caminhos de Oxum, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O local foi depredado e invadido na madrugada da última terça-feira, dia 24.
Estudos papiloscópicos foram realizados para tentar identificar as digitais dos vândalos. Segundo policiais civis, fitas de vídeo do sistema de seguranda da Igreja Universal do Reino de Deus, que monitora toda a rua onde fica localizado o centro espírita serão requisitados. O caso foi registrado na delegacia de Nova Iguaçu. A polícia não descarta a hipótese de que fiéis da igreja tenham depredado o templo.
Em outubro, o sacerdote Bruno Pereira afirma ter sido alvo de agressão por parte de fanáticos religiosos quando realizava um trabalho de umbanda na rua.
A Comissão de Combate Intolerância Religiosa (CCIR) recebe denúncias sistemáticas de invasão e vandalismo em terreiros de umbanda e candomblé na Baixada Fluminense, São Gonçalo e na Zona Oeste do Rio.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
SOBRE TV E CONSCIÊNCIA- *Por Joyce Nahoum
Queria dividir com vocês minhas agonias mais vezes.
Hoje mesmo, foi um dia de agonias.
Bom, já que comecei, vou adiante. Se quiser, pode postar o que vem a seguir.
Eu fico boba de ver como a caixinha quadrada que emite imagens e sons é um meio de disseminar opiniões obscuras, se assim posso dizer.
E como os programas são "comprometidos" com a diversidade, com os problemas sociais, com as minorias...
Estava me arrumando para sair e liguei a TV para fazer barulho na casa. Assisto pouco a TV, e a cada dia tenho menos prazer em fazer isso.
Passava a reprise do programa "Na Rua" da MTV que foi ao ar na 6a feira, feriado de Zumbi, ou melhor, da consciência negra.
Foi um festival de besteiras ditas pela juventude paulistana (o programa vai ao ar ao vivo, gravado nas ruas de São Paulo), e apoiado pela apresentadora.
Logo a MTV, uma emissora moderninha, com a cara da juventude e com a adesão da juventude, o que é pior. Através do entretenimento, milhares de jovens caem na rede e viram peixe, consomem, se vêem representados, pensam que têm voz e acabam reproduzindo discursos infundados e por vezes perigosos.
Para exemplo de que a coisa é tendenciosa, começaram o programa falando sobre gravidez na adolescência, dando fala à váááárias adolescentes mães e não-mães-ainda, que falaram sobre o que fariam ou o que fizeram quando descobriram a gravidez, e apenas 1 (um) rapaz que por sinal, foi bastante feliz em sua colocação. Podendo-se tirar como uma raridade no exemplo de responsabilidade masculina na criação da "prole surpresa", quando Murph entra em ação e "acontece o que pode acontecer com a sua vizinha, mas não com você".
Se pregamos uma sociedade menos machista, precisamos treinar discursos menos unilaterais. A mulher, a mãe, é sempre responsabilizada. Vejo isso de perto, na minha família.
E se a camisinha furou, coitado do rapaz... Já cumpriu a obrigação de usar camisinha, e o que mais vocês querem?
Bom, depois de começar, assim, como quem não quer nada um programa no dia da consciência negra, foi veiculada uma propaganda de uma Universidade particular, com muitas vagas e condições especialíssimas de pagamento. “Depois não vai dizer que não teve oportunidade!” – palavras da apresentadora...
E em seguida, vejam que coincidência! “Próóóóóximo assunto: cotas!” (num gritinho histérico e desnecessário) Não só nas universidades, mas na TV e agora também até nas empresas (essa eu não sabia ainda).
Ai, me desanima lembrar...
Se me lembro bem, acho que nenhum entrevistado era a favor. Até porque expressar uma opinião divergente da hegemônica é típico da juventude, transgressora na melhor das interpretações... (acho que já foi época).
E os argumentos bailavam entre o senso-comum e a falta de bom-senso.
De “os negros são tão capazes quanto todos os outros” até “todos têm as mesmas oportunidades”. Chega a doer os ouvidos... Ó, meu pai! Viva a democracia! Não sei como a Prefeitura ainda não criou o programa “oportunidade para todos”.
E por fim! O auge do programa, o ponto alto! Dia da consciência negra. A essa altura eu já não esperava mais nada de positivo mesmo... Os comentários descambaram para pior.
“Um dia só para os negros, é preconceito!” (Só para pegar leve, tinham piores) A apresentadora: “É, assim como o dia das mulheres, né?!”
Ô povo reacionário. Deviam parar de ver clipe, acho que fazem mal à visão.KAWO KABIECILE!!!!
Uma ode à Umbanda, a mais brasileira das religiões.
No texto abaixo, o teólogo Leonardo Boff resume em poucos parágrafos o que muita gente procura descobrir e o que tantos outros não conseguem explicar, traduzir. Mas, além da homenagem, seu texto sintetiza como é e qual a verdadeira função desta doutrina popular.
SARAVÁ!!!!
O encanto dos Orixás
Teólogo
Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do Mistério do mundo, ela alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908, bebendo das matrizes da mais genuina brasilidade, feita de europeus, de africanos e de indígenas. Num contexto de desamparo social, com milhares de pessoas desenraizadas, vindas da selva e dos grotões do Brasil profundo, desempregadas, doentes pela insalubridade notória do Rio nos inícios do século XX, irrompeu uma fortíssima experiência espiritual.
O interiorano Zélio Moraes atesta a comunicação da Divindade sob a figura do Caboclo das Sete Encruzilhadas da tradição indígena e do Preto Velho da dos escravos. Essa revelação tem como destinatários primordiais os humildes e destituídos de todo apoio material e espiritual. Ela quer reforçar neles a percepção da profunda igualdade entre todos, homens e mulheres, se propõe potenciar a caridade e o amor fraterno, mitigar as injustiças, consolar os aflitos e reintegrar o ser humano na natureza sob a égide do Evangelho e da figura sagrada do Divino Mestre Jesus.
O nome Umbanda é carregado de significação. É composto de OM (o som originário do universo nas tradições orientais) e de BANDHA (movimento inecessante da força divina). Sincretiza de forma criativa elementos das várias tradições religiosas de nosso pais criando um sistema coerente. Privilegia as tradições do Candomblé da Bahia por serem as mais populares e próximas aos seres humanos em suas necessidades. Mas não as considera como entidades, apenas como forças ou espíritos puros que através dos Guias espirituais se acercam das pessoas para ajudá-las. Os Orixás, a Mata Virgem, o Rompe Mato, o Sete Flechas, a Cachoeira, a Jurema e os Caboclos representam facetas arquetípicas da Divindade. Elas não multiplicam Deus num falso panteismo mas concretizam, sob os mais diversos nomes, o único e mesmo Deus. Este se sacramentaliza nos elementos da natureza como nas montanhas, nas cachoeiras, nas matas, no mar, no fogo e nas tempestades. Ao confrontar-se com estas realidades, o fiel entra em comunhão com Deus.
A Umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais.
Há um diplomata brasileiro, Flávio Perri, que serviu em embaixadas importantes como Paris, Roma, Genebra e Nova York que se deixou encantar pela religião da Umbanda. Com recursos das ciências comparadas das religiões e dos vários métodos hermenêuticos elaborou perspicazes reflexões que levam exatamente este título O Encanto dos Orixás, desvendando-nos a riqueza espiritual da Umbanda. Permeia seu trabalho com poemas próprios de fina percepção espiritual. Ele se inscreve no gênero dos poetas-pensadores e místicos como Alvaro Campos (Fernando Pessoa), Murilo Mendes, T. S. Elliot e o sufi Rumi. Mesmo sob o encanto, seu estilo é contido, sem qualquer exaltação, pois é esse rigor que a natureza do espiritual exige.
Além disso, ajuda a desmontar preconceitos que cercam a Umbanda, por causa de suas origens nos pobres da cultura popular, espontaneamente sincréticos. Que eles tenham produzido significativa espiritualidade e criado uma religião cujos meios de expressão são puros e singelos revela quão profunda e rica é a cultura desses humilhados e ofendidos, nossos irmãos e irmãs. Como se dizia nos primórdios do Cristianismo que, em sua origem também era uma religião de escravos e de marginalizados, “os pobres são nossos mestres, os humildes, nossos doutores”.
Talvez algum leitor/a estranhe que um teólogo como eu diga tudo isso que escrevi. Apenas respondo: um teólogo que não consegue ver Deus para além dos limites de sua religião ou igreja não é um bom teólogo. É antes um erudito de doutrinas. Perde a ocasião de se encontrar com Deus que se comunica por outros caminhos e que fala por diferentes mensageiros, seus verdadeiros anjos. Deus desborda de nossas cabeças e dogmas.
Leonardo Boff é autor de Meditação da Luz. O caminho da simplicidade. Vozes 2009.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
No dia 24 de maio, publicamos um texto relatando a primeira manifestação do Caboclo das 7 Encruzilhadas, em 15 de novembro de 1908, data que é considerada o marco inicial da Umbanda no Brasil.
Hoje, publicamos um texto retirado do site da TENDA ESPÍRITA FRATERNIDADE DA LUZ- CASA DO CABOCLO DAS 7 ENCRUZILHADAS (www.tefl.com.br) contando a história da encarnação no Brasil do Caboclo das 7 Encruzilhadas.
Boa leitura.
SARAVÁ!!!!
