terça-feira, 31 de janeiro de 2012

PASSEIO DIVINO

Há algum tempo, o mundo vem passando por transformações.

As tragédias e catástrofes que acometem o plano material da vida humana constantemente, nestes últimos tempos, são reflexo das impensadas atitudes dos seres humanos no decorrer da história.

Muitos repetem o seguinte questionamento: “Por que Deus está fazendo isto?”

É preciso que os seres, todos dotados de inteligência e raciocínio, parem de uma vez por todas de espetacularizar Deus e a Sua Criação.

Deus não é um ser, uma entidade que afaga os bons e pune os maus.

Precisamos enxergar Deus como a força motriz do Universo visível e de todos os Universos paralelos e invisíveis à limitada visão humana.

Portanto, hoje, nesta mensagem, gostaria de ajudá-lo(a) a abrir sua visão, para que, caso ainda não tenha conseguido enxergar Deus Pai e Mãe ao seu redor, por favor, faça um esforço, imediatamente!

Comece abrindo a janela da sua casa.

Olhe para o céu e veja a lua e as estrelas, à noite, e o sol, durante o dia.

Olhe para a primeira árvore que surgir á sua frente, observe sua raiz, seu tronco, seus galhos, suas folhas. Olhe também para as flores e plantas ao redor.

Saia de casa, aproxime-se da árvore, abrace-a, respire fundo absorvendo sua essência. De pés descalços, permita que a raiz sugue todos os seus negativismos.

Passe as palmas das suas mãos suavemente sobre as flores. Verá que estará absorvendo uma essência doce e Divina.

Olhe para o chão onde pisa. A terra e a pedra contribuem para que você tenha estabilidade, pois, sem ela, nunca andaria.

Respire fundo, sinta através do olfato, mas também dos seus outros sentidos, a essência mais sutil da Criação.

Vá à uma cachoeira, rio, lago, lagoa ou praia. Dê um mergulho, mas, mergulhe com a alma, mergulhe com intensidade. Terá a sensação de estar voltando ao útero da sua Mãe... a Mãe Natureza.

Caminhe por um campo aberto e, nele, abrace-se ao ar. Este sim, fundamental para tudo, para o todo, fundamental para você.

E se, por ventura, passar por algum lugar, neste seu passeio Divino, onde houver chamas, tranqüilize-se, aquele fogo estará garantindo o equilíbrio para a subsistência de tudo e de todos, inclusive a sua.

Após este divino passeio, você terá concluído que viu Deus em tudo:: no ar, terra, no fogo, na água, nas pedras, nos vegetais.

E perceberá, olhando para dentro de si, que há muito não percebia, mas, Ele está bem aí no seu íntimo.

E você carregava-O em si e quase nunca se voltou para Ele, não é mesmo?

Você viu Deus Pai Criador em toda a Natureza Mãe Sustentadora e pode, agora, trocar o questionamento:

“Por que, durante todo este tempo, eu fiz isso com Deus?”

Então, você entende, agora, que tudo o que está acontecendo no planeta é uma conseqüência única e simples da ação humana.

E sabe também, que Deus não fez a Sua Criação (a Natureza) para servir ao humano. E sim, fez o humano como mais uma parte da belíssima Natureza (por que um filho sempre será parte de Sua Mãe).

Mas, se você ainda insiste em ver Deus como uma “entidade”, então, feche os olhos e o verá derramando uma lágrima, triste, por ver-se sendo destruído a cada instante por seu(a) amado(a) filho(a).

Espero que esta mensagem sirva para a sua reflexão e, se necessário, para uma radical mudança de atitude.

Fique em paz!

Mensagem Evniada pelo Sr. Mestre Mago da Luz Gehusyoh

Escrita por André Cozta

Rio- 31/01/2012- 23h

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A RELIGIÃO DA NATUREZA, A RELIGIÃO DOS NATURAIS- Por André Cozta



Desde tempos remotos, o ser humano cultua Deus através da Natureza.


Com o passar dos tempos, foi criando religiões, ligadas às mais variadas culturas, onde, através de divindades manifestadoras dos Poderes Divinos, muitas vezes até, identificadas com fenômenos naturais, encontrava a via que o religava ao Pai.


Hoje, através da Ciência trazida ao plano material pelos Mestres dirigentes da Umbanda, sabemos que os Sagrados Orixás, muito mais do que associados à fenômenos naturais, são manifestadores das 7 Qualidades de Deus.


Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração, são as qualidades divinas. E associadas às 7 Essências: Cristalina, Mineral, Vegetal, Ígnea, Eólica, Telúrica e Aquática, formam os 7 Sentidos da Vida, as 7 Linhas de Umbanda.


Essências estas com as quais fomos imantados quando criados por Deus, nosso Pai e que tornaram-se, tenha certeza, caro leitor, nossas essências ancestrais.


Então, fica fácil associar estas essências aos Sagrados Orixás e concluir que todos eles estão ligados a elas.


Pois, Pai Oxalá é Cristalino, Mãe Oxum é Mineral, Pai Oxossi é Vegetal, Pai Xangô é Fogo, Pai Ogum é Ar, Pai Obaluayê é Terra e Mãe Iemanjá é Água.


Então, Pai Oxalá é Fé, Mãe Oxum é Amor, Pai Oxossi é Conhecimento, Pai Xangô é Justiça, Pai Ogum é Lei, Pai Obaluayê é Evolução e Mãe Iemanjá é Geração.


7 Linhas de Umbanda. Mas, só 7 Sagrados Orixás?


Não, 7 Linhas, pontificadas por 7 pares de Sagrados Orixás.


Visualizamos, na outra ponta de cada linha:: Mãe Oiá Tempo na Fé (Cristalina), Pai Oxumaré no Amor (Cristalino-Mineral), Mãe Obá no Conhecimento ( A terra, a raiz, que dá estabilidade ao vegetal), Mãe Iansã na Justiça (o Ar que espalha as chamas do Pai Xangô), Mãe Egunitá na Lei (o Fogo consumidor e Purificador da Justiça e da Lei), Mãe Nanã na Evolução (o barro que decanta os negativismos neste sentido da vida, polarizando com Pai Obaluayê) e Pai Omulu na Geração (a terra seca, que paralisa à todos que atentam contra o sentido da Geração e da Vida).


Nada disso é novidade. Este conhecimento vem sendo aberto há algum tempo ao plano material nas obras psicografadas pelo Mestre Rubens Saraceni.


Toda esta dissertação foi para que você, caro leitor, possa através da sua visão mental, associar os Sagrados Orixás e a Umbanda à natureza.


Pai Benedito de Aruanda, através do Mestre Rubens Saraceni, nos ensina que Deus é Pai e Mãe, masculino e feminino. E que, em nosso planeta, sua parte masculina manifesta-se através do magnetismo planetário e sua parte feminina através da Mãe Natureza.


Sei que para alguns umbandistas, toda essa literatura que citei, assim como estes ensinamentos, são vistos como mera falácia. Pois provém (estes umbandistas) de “escolas” que pregam a prática em detrimento do estudo.


Ora, em qualquer setor da atividade humana, penso eu, não devemos cultivar a ignorância. Cultivar este verbo é jogar no time das faixas vibratórias negativas, ou seja, vestir a camisa do time das trevas.


Uma prática saudável da nossa amada religião se dará com a busca incessante pelo conhecimento; Conhecimento este que abrirá o leque de possibilidades de trabalho, tenha certeza!


Durante muito tempo, um certo “misticismo” e uma “mitificação” acima dos limites tomou conta da Umbanda.


Aí começaram a surgir “contos tortos” com relação à alguns Orixás, ao menos, e, principalmente, com relação à muitas das falanges de guias espirituais que manifestam-se nos terreiros de norte a sul do Brasil.


Alguns deles: associação do Divino Pai Omulu à “morte” física, às doenças, ligando este Sagrado Orixá ao mal e ás práticas trevosas e, também, uma suposta bissexualidade do Divino Pai Oxumaré.


Ora, caro leitor, de uma vez por todas: O Sagrado Orixá Oxumaré, pontifica com a Divina Mãe Oxum na 2ª Linha de Umbanda, a do Amor. Então, em cada uma das 7 Linhas, temos um Orixá masculino e um feminino, um de atuação ativa e um de atuação passiva. Entenda ativa e passiva como corretora e amparadora, respectivamente.


E o Sagrado Pai Omulu é o Guardião da Vida. Pontifica com a Divina Mãe Iemanjá na 7ª Linha de Umbanda, da Geração e da Criatividade. É a divindade que paralisa todo e qualquer ser que esteja atentando contra este sentido.


Se, em cada linha de Umbanda, em cada sentido da Vida, temos um Orixá amparador e um corretor, na 7ª Linha de Umbanda, o Divino Omulu, cumpre esta função “guardiã” da vida.


Sei que tudo isso ainda é novo demais para alguns umbandistas. E compreendo, até certo ponto, a resistência de algumas pessoas à esta Ciência Divina. Mas, sugiro que, com humildade, conectem-se com seus guias e mentores espirituais questionando-os sobre estas afirmações. E verão que, finalmente, a Umbanda tem fundamentação própria. Fundamentação esta que tem base, simplesmente, na Ciência Divina, ou, parafraseando Pai Benedito de Aruanda, na Ciência dos Orixás.


Ao menos, você concorda comigo que a Umbanda é a religião da Natureza.


E eu complemento com a seguinte afirmação: - - É sim, a religião da Natureza. E é também, a religião dos Naturais.


Há dimensões paralelas à humana (espiritual, com uma contraparte material na qual vivemos enquanto encarnados), tanto à nossa direita, quanto à nossa esquerda.


São 77 dimensões. Estamos na 22ª .


Então, numa linha reta, há 21 dimensões à nossa esquerda e 55 à nossa direita, onde vivem os nossos irmãos naturais.


Irmãos estes que são seres que evoluem sem o recurso da encarnação, por isso, assim são chamados, por que seguem uma evolução natural.

E, pasme, irmão leitor, muitas das manifestações em nossa religião (as que não são promovidas por guias espirituais da direita e da esquerda), são protagonizadas por estes irmãos que atuam sim em nosso benefício, tanto à nossa direita, quanto à nossa esquerda.

Não é minha intenção através deste texto, “embananar” a cabeça de quem até aqui chegou, mas sim, de provocar uma reflexão acerca dos conceitos obtidos até agora quanto às manifestações mediúnicas e dos Sagrados Orixás.


Afinal, se você é filha da Mãe Oxum, saiba que aquela Divina Oxum que manifesta-se através do seu campo mediúnico é uma irmã natural oriunda de uma realidade da dimensão da Divina Mãe do Amor.

Desejo que reflita sobre o que aqui leu.

Umbanda é a Religião da Natureza! Umbanda é a religião dos Naturais!

SARAVÁ!!!!!!!

sábado, 21 de janeiro de 2012

Leia o texto "ALMA CIGANA", enviado pelo Sr. Mestre da Luz Cigano Wladimir, no Blog O Lavrador:

www.olavrador.wordpress.com

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

DE BRAÇOS ABERTOS PARA A NOVA ERA


Aqui, do lado etérico da vida, nós, os Mestres Magos da Luz, estudando intensamente o comportamento humano (especialmente, daqueles que encontram-se encarnados), temos percebido que alguns fatores negativadores tornaram-se preponderantes na caminhada durante esta etapa evolutiva.

Cada encarnação de um ser humano tem seu devido tempo. Sempre o necessário para o cumprimento do que lhe foi incumbido e também para o seu auto-aperfeiçoamento. Mas, infelizmente, muitos, “cegos” e “adormecidos” para com seus compromissos frente à Criação do Pai, acabam, simplesmente, trilhando por uma via escura e equivocada.

Exemplificarei: “A uma pessoa é incumbida (e por ela é aceita), a tarefa de guardar, todas as noites, um depósito de pólvora. Ela aceita, acerta seu salário e começa a trabalhar cumprindo aquela função. Rapidamente, passa a sentir-se solitária no trabalho e começa a refletir sobre estar ali, naquele ambiente, naquela função, sobre o risco que há em guardar aquele material. Começa a questionar a si própria e à situação. Acha que não deve estar ali, que merece uma colocação melhor. E, invariavelmente, ‘culpa’ a Deus por não ter uma vida ‘melhor’. Infelizmente, durante suas reflexões, esquece-se de ponderar que, antes de ocupar aquela vaga, estava desempregada e pegava-se, muitas vezes, pedindo a Deus que lhe concedesse qualquer oportunidade profissional. E Ele, que é puro amor, bondade e misericórdia, concedeu àquele(a) seu(a) filho(a), uma oportunidade para se auto-sustentar e manter-se ‘em pé’. Afinal, ‘em pé”, pode cumprir tudo o que Ele quer que realize.”

Assim temos visto o comportamento de uma grande parcela dos nossos irmãos encarnados.

Banhados pela ilusão do materialismo e da vaidade, agem como a pessoa da parábola que usei para mostrar algo muito simples: Deus, nosso Pai Criador, dá a muitos de seus filhos a oportunidade de crescerem, acelerarem suas evoluções no invólucro da carne, onde, através das mais variadas experiências (algumas dolorosas, porém, eficazes), aprenderão por si próprias as lições por Ele ensinadas a nós.

Porém, infelizmente, Seus filhos humanos encarnados, muitas vezes, não conseguem compreender suas missões, seus compromissos para com o Todo.

Enquanto os irmãos e irmãs que vivem no plano material da vida mantiverem suas mentes e almas direcionadas pela vaidade, pelo ego inflado e pelo materialismo, seguirão em suas jornadas, invariavelmente, por vias equivocadas, que poderão levá-los a tudo, menos para os braços de Deus.

É importante, neste momento, que reflitam acerca disso tudo, pois, estamos á porta de uma Nova Era, uma era que levará todos aqueles que realmente querem à Plenitude, que é o Sol, no caminho que nos leva de volta aos braços D’Ele.

Banhem-se em humildade, busquem, cada vez mais, deixar fluir de vossas almas o Amor Divino. Procurem falar menos, ouçam mais vossos íntimos. Ouçam Deus falando através de vossos corações.

Amem aos seus irmãos, amem aos animais, amem a Natureza Mãe... e, assim, estarão amando e manifestando Deus, nosso Pai e Criador Divino.

Desejo que esta Nova Era mostre-se a todos como um portal de Luz Divina.

Mensagem Enviada pelo Sr. Mestre Mago da Luz Gehusyoh

Escrita por André Cozta

Porto Alegre- 30 de dezembro de 2011- 15:26h

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

PARA UMA REFLEXÃO OPORTUNA...


Há momentos em que os seres humanos encarnados voltam-se para seus íntimos e apercebem-se que, após um longo período sem a prática da auto-avaliação, permitiram que muitos cordões energéticos negativos fossem ligados aos seus mentais.

Por que é exatamente assim que acontece, meus filhos!

A conexão com Deus, por certo, deve ocorrer o tempo todo através de nós, seus filhos. Afinal, foi com esta finalidade que ele nos criou e deseja que caminhemos, sempre manifestando Sua Vontade e Sua Essência Divinas.

Na Umbanda, nós, os guias espirituais, temos percebido que, cada vez mais, os médiuns e os adeptos apegam-se ao que costumo denominar “contos tortos”.

Estes, nada mais são do que mitos e estórias criadas dentro do ambiente umbandista, muitas vezes, no intuito de suprir a falta de conhecimento, mas, em outras, de amedrontar médiuns e assistência, mantendo o controle sobre suas “cabeças” e suas vidas.

Eu, um Negro Velho Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas, transmito esta mensagem com a intenção de deixar aos que a ela chegaram, neste momento, um questionamento: “Vocês, realmente, querem entregar suas vidas à Deus... ou a um irmão humano que, manifestando o negativismo da sua vaidade, procura com as próprias mãos direcionar suas vidas ou a de qualquer outro semelhante?”.

Falo do que vem acontecendo em muitos terreiros de Umbanda: o fato de alguns dirigentes espirituais e alguns médiuns que consideram-se aptos para a prática religiosa e para o atendimento espiritual, manipularem o trabalho de modo negativo, monitorando e controlando a vida de algumas pessoas através da sua espiritualidade.

É preciso que isto seja falado agora, pois, vivemos um momento de reciclagem no plano material da vida humana. Momento este que manifesta-se bem à frente dos nossos olhos e que iniciará, a partir de agora, sua fase de afunilamento.

Peço aos umbandistas que, humildemente, reflitam sobre suas práticas. Pensem se, realmente, estão direcionando seus trabalhos como quer Deus, através das Divindades manifestadoras das Suas 7 Divinas Qualidades, os Sagrados Orixás.

Trabalhos de amarração, para atrasar a vida de qualquer semelhante, não devem mais ser tolerados dentro da Umbanda!

Vocês, umbandistas conscientes, fiscalizem!

E comecem fiscalizando seus íntimos, seus pensamentos, desejos e atitudes.

Com humildade, tenho certeza, chegarão a conclusões que, muitas vezes, não serão muito agradáveis, mas, sempre serão muito produtivas quando o ser localizar seus erros e, humildemente recuar, retornar, a fim de corrigi-los e passar a buscar uma estrada positiva.

Assim se processa a caminhada evolutiva para todos, adeptos de qualquer religião. Porém, falo especificamente aos umbandistas, pois, em um peso similar ao de seus irmãos praticantes das mais variadas doutrinas religiosas, vêm incorrendo em erros crassos que já não mais são tolerados pela Lei de Deus e pelos Senhores Orixás, dirigentes da Criação como um todo e do Ritual de Umbanda Sagrada por conseqüência.

E como um trabalhador desta maravilhosa religião, tenho a incumbência e o dever de por ela zelar.

Façam dos seus ambientes umbandistas locais para estudos das coisas do Pai, da Sua Ciência. Coloquem a doutrina em suas agendas ritualísticas.

E verão o quão rápido e grande será o salto qualitativo dos seus trabalhos, dos guias espirituais que em suas casas labutam e também de todos os médiuns. Terão assistências compostas por pessoas satisfeitas, felizes, por que estarão encontrando em seus terreiros, verdadeiros “centros de conexão espiritual”, que darão à elas respostas que as levarão à plenitude.

Desejo que criem em suas vidas, em seus ambientes religiosos e em suas famílias, novas perspectivas, que os levem de volta aos braços do Pai Maior e Divino Criador.

Mensagem enviada por Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas

Escrita por André Cozta

Porto Alegre, 28 de dezembro de 2011- 19:05h

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

UM PASSEIO NO CEMITÉRIO- Por André Cozta

Aquele Preto Velho andava calmamente por entre as lápides daquele cemitério.

Pitava seu cachimbo marrom curvo, observava a todos que por ali perambulavam naquele dia.

Os espíritos humanos encarnados, depositavam flores nos túmulos, acendiam velas, choravam a saudade de seus entes queridos, de seus amigos, de seus amores. Alguns espíritos perdidos andavam também por ali, buscando algo que, em muitos casos, nem eles sabiam o que era.

Com a mão esquerda, o Preto Velho ajeitou seu enorme chapéu de palha, deixando-o caído para o lado esquerdo de sua cabeça, cobrindo parte de sua face. Pitou o cachimbo mais uma vez.

Um menino negro, aparentando 12 anos de idade aproximou-se dele.

Imediatamente, o Preto Velho olhou para o menino, e perguntou:

- O que você faz aqui, pequeno?

- Posso ficar com o senhor, Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas? Gostaria de aprender um pouco mais sobre tudo.

O Preto Velho soltou uma suave gargalhada, pitou o cachimbo novamente, olhou para o menino e falou:

- Meu pequeno, você pode sim andar comigo, mas, saiba que verá coisas que não serão muito agradáveis aos seus olhos. Verá irmãos seus, encarnados e desencarnados se auto-torturando, verá irmãos seus, encarnados e desencarnados, sofrendo por perda e saudade, verá irmãos seus, encarnados e desencarnados, emitindo energias e vibrações baixas, fruto da ignorância pela qual, consciente ou inconscientemente, optaram.

O menino olhava fixamente para o Preto Velho, que prosseguiu:

- Mas você também verá, pequeno, pessoas que emitem, a partir de seus corações, vibrações de amor, de fraternidade. Muitas, menino, até se encontram perdidas pelas ilusões do materialismo (e olha que falo não somente de encarnados, mas de desencarnados também), porém, ainda assim, buscam um caminho de luz. É verdade que, com muita dificuldade, acabam trilhando um caminho mais longo, mas, tenha certeza, lá chegarão em algum momento.

O Preto Velho olhou para o menino, estendendo-lhe a mão, e falou:

- Venha comigo, meu pequeno!

Levou o menino até o Cruzeiro das Almas daquele Campo Santo.

Lá chegando, assentou-se, pôs o menino sentado sobre sua perna direita, afagou seus cabelos, olhou em seus olhos, e falou:

- Você, pequeno, representa a esperança a todos os espíritos humanos, encarnados e desencarnados, de uma caminhada limpa de volta aos braços do Pai.

O menino perguntou:

- O que isso quer dizer, Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas?

- Isto quer dizer, pequeno, que Olodumaré, nosso Pai Maior, quer que todos nós caminhemos rumo a Ele com a pureza no coração que você tem e, quando aos Pés D’Ele chegarmos, continuemos com esta pureza, mas, tenhamos adquirido a vivência, a experiência, a sabedoria que os cabelos brancos desse Negro Velho trazem.

- E como pode uma pessoa conseguir isto, Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas?

- Voltando-se para o seu interior, reconhecendo-se como um ser divino (pois é um filho de Deus), mas, reconhecendo também, suas limitações. E para isso, meu pequeno, há de se trilhar a jornada com humildade.

- É assim que eu devo fazer para ser como o senhor é, Pai Cipriano?

- Sim, meu pequeno, caminhe desta forma e você chegará a este ponto da jornada em que me encontro, sem sofrimentos.

O menino olhou fixamente nos olhos do Preto Velho. Olhou para espíritos que caminhavam atrás do Cruzeiro das Almas, perdidos, alguns com semblante maléfico (provocado pela opção à ignorância humana). Olhou para a esquerda, viu belíssimos guardiões e belíssimas guardiãs. Fixou seu olhar naqueles espíritos.

O Preto Velho pitou o cachimbo, sorriu e falou:

- São os guardiões e guardiãs, pequeno, deste Campo Santo. Mas também são aqueles que atuam na guarda dos humanos encarnados. São os Exus e Pombagiras.

O menino sacudiu a cabeça lentamente, afirmando ter compreendido.

Em seguida, olhou para a direita, viu espíritos que caminhavam em sua direção. Caboclos, Caboclas, Pretos Velhos, Pretas Velhas, Ciganos, Ciganas e Crianças (meninos e meninas) que corriam alegremente à volta deles.

O Preto Velho pitou o cachimbo, sorriu mais uma vez e falou:

- Estes espíritos à direita, meu pequeno, são aqueles que trazem as vibrações mais sutis, de cura espiritual, de abertura de caminhos e, principalmente, mostram aos humanos encarnados por onde trilhar os “Caminhos da Evolução”. Tanto eles, quanto os guardiões e guardiãs da esquerda, menino, trabalham sob a irradiação e tutela dos Sagrados Orixás.

- Mas, quem são os Sagrados Orixás, Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas?

O Preto Velho sorriu, pitou o cachimbo, olhou para a frente. Imediatamente, o menino também olhou... e ficou maravilhado com o que viu.

Caminhavam em sua direção, 14 Orixás. Á frente, o Divino Obaluayê, acompanhado à sua direita da Divina Nanã Buruquê e à sua esquerda do Divino Omulu, conduziam aquele grupo que aproximava-se do Cruzeiro das Almas. Logo atrás, vinham o Senhor Ogum Megê, a Senhora Iansã das Almas, o Senhor Xangô da Calunga, acompanhado da Senhora Egunitá. A Divina Mãe Obá, vinha acompanhada do Sagrado Oxossi. Também estavam naquele grupo: a Divina Mãe Oxum e o Divino Oxumaré,

E, pelo alto, irradiando sobre aquele Campo Santo, o Sagrado Pai Oxalá, acompanhado da Divina Mãe Oiá-Tempo e da Senhora da Vida, a Sagrada Mãe Iemanjá.

O menino, emocionado com aquela visão, olhou novamente para o Preto Velho e falou:

- Agora eu compreendo tudo, Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas! Deus está aqui no Campo Santo também, manifestando seus Poderes através dos Sagrados Orixás.

O Preto Velho soltou uma suave gargalhada.

O menino prosseguiu:

- Algumas pessoas falam tão negativamente deste ponto de forças que é o cemitério, não é Pai Cipriano?

- É sim, pequeno! Mas falam por desconhecimento de causa, tenha certeza! A ignorância é uma trava muito forte na evolução dos espíritos (encarnados e desencarnados), saiba disso! No momento em que os humanos banharem-se em humildade e buscarem o conhecimento, começando pelo auto-conhecimento, aí sim, pequeno, o planeta caminhará para a evolução e a ascensão como deve ser.

O menino sorriu. O Preto Velho prosseguiu:

- E, num dia como hoje, em que as pessoas adentram o Campo Santo a fim de chorar a saudade daqueles que foram e são para elas muito importantes, talvez, pequeno, elas passem a procurar este campo de forças com sorriso no rosto e com o intuito da celebração da vida, que é eterna. Quando os humanos conseguirem tirar de seus corações o muro que os separa da morte, aí, pequeno, verão que ela não existe e sorrirão, pois, terão plena certeza de que a vida é eterna.

O menino sorriu. O Preto Velho falou:

- Siga neste caminho, que é o da busca do conhecimento e você trilhará por um jardim muito florido, pequeno!

- Sim senhor, Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas!

- Agora vá brincar, pequeno, por que é a melhor coisa que você pode faze por ora.

O menino beijou a face do Preto Velho, saiu correndo por entre as lápides, sorrindo e cantando.

Pai Cipriano do Cruzeiro das Almas, satisfeito, sorriu, pitou seu cachimbo e permaneceu sentado observando os movimentos naquele Campo Santo.

domingo, 9 de outubro de 2011

O GUARDIÃO DA MEIA-NOITE E O GUARDIÃO DAS 7 PORTAS

Reproduzimos abaixo, um trecho do livro O GUARDIÃO DA MEIA NOITE (Rubens Saraceni/Editora Madras) que compõe o material de apoio do curso virtual Teologia de Umbanda Sagrada, ministrado por Alexandre Cumino, através da plataforma UMBANDA EAD do Instituto Cultural Aruanda- www.ica.org.br-. Boa leitura!

************************************

Diálogo entre o Guardião da Meia-Noite e o Guardião das Sete Portas

(Guardião da Meia Noite) E eu pensei:
“Como era poderoso o Guardião dos Sete Portais das Trevas”, que leu o meu pensamento.

(Guardião das Sete Portas) - Não pense que consegui o meu poder sendo um tolo. Sempre dormi com um olho aberto. Nunca deixei uma ofensa sem resposta, nem um inimigo mais fraco sem conhecer o meu poder.
Nunca deixei de respeitar um igual ou de temer a um mais forte. Foi assim que consegui tanto poder. Também nunca saí da lei do carma. Não derrubo quem não merece, nem elevo quem não fizer por merecer. Não traio a ninguém, mas também não deixo de castigar um traidor. Leve o tempo que for necessário, eu o castigo. Não castigo um inocente, mas não perdoo um culpado. Não dou a um devedor, mas não tiro de um credor. Não salvo a quem quer se perder, mas não ponho a perder quem quer se salvar. Não ajudo a morrer quem quer viver, mas não deixo vivo quem quer se matar. Não tomo de quem achar, mas não devolvo a quem perder. Não pego o poder do senhor da Luz, mas não recuso o poder do senhor das Trevas. Não induzo alguém a abandonar
o caminho da Lei, mas não culpo quem dele se afastou. Não ajudo alguém que não queira ser ajudado, mas não nego ajuda a quem merecer. Sirvo à Luz, mas também sirvo às Trevas. No meu reino eu mando e sei me comportar. Não peço o impossível, mas dou apenas o possível. Nem tudo que me pedem eu dou, mas nem tudo que dou é porque me pediram. Só respeito à Lei do Grande da Luz e das Trevas e nada mais. É por isso que o
Grande exige de mim, portanto, é isto que eu exijo dos que habitam o meu reino. Não faço chorar o inocente, mas não deixo sorrir o culpado. Não liberto o condenado, mas não aprisiono o inocente. Não revelo o oculto, mas não oculto ao que pode ser revelado. Não infrinjo a Lei e pela Lei não sou incomodado. Agora sabe de onde vem meu poder, senhor da Meia-Noite. Eu sou um dos sete guardiões da Lei nas Trevas; os outros seis, procure e a Lei lhe mostrará.

(Guardião da Meia Noite) - Por que o senhor não socorreu o Cavaleiro em sua queda?

(Guardião das Sete Portas) - Foi a Lei Maior que o determinou, por isto eu me calei. Mas quando Ela saiu em seu auxílio, eu arrasei o reino de Lúcifer para saber onde estava o Cavaleiro e acabei descobrindo, pois foi a Lei que me ordenou que assim o fizesse. Ele teve que calar-se e entregar-me o culpado.

(Guardião da Meia Noite) - Obrigado, Guardião dos Sete Portais das Trevas, deu-me uma lição sábia. Sou seu devedor.

(Guardião das Sete Portas) - Nada me deve, Senhor da Meia-Noite. Gosto de ensinar a quem quer aprender, mas também gosto de castigar a quem aprende e faz mau uso do saber.

(Guardião da Meia Noite) Ele bateu o pé esquerdo e o recinto se encheu de entidades que haviam sido religiosos quando na carne.

(Guardião das Sete Portas) - Eis aí um exemplo do mau uso do saber. Eles aprenderam tudo o que precisavam para suas missões na terra, mas não seguiram o que pregaram. Usaram do que sabiam em benefício próprio ou para arruinar aos que acreditaram neles.
Olhe bem, Guardião da Meia-Noite, e verá que os que se diziam sábios, iluminados, profetas, grandes lideres religiosos ou grandes sacerdotes não passavam de otários, idiotas, tolos, imbecis, cegos e mal intencionados. Verá entre eles todo tipo de defeito e nenhuma qualidade. Eram lobos uns, pois se aproveitavam e comiam suas ovelhas e hienas, outros pois se contentavam em consumir os restos deixados pelos lobos. Uns e outros hoje choram pelo erro cometido, pela oportunidade perdida e pela luz não
conquistada. Viveram do mundo e não pelo mundo. A Lei não os perdoou e os entregou a mim. Eu dou-lhes o que merecem porque sou um guardião da Lei das Trevas e esta é minha função. A Lei não iria colocar um ser bom e iluminado para castigar os canalhas nem colocaria um carrasco como eu para premiar aqueles que venceram suas provas. Não! Os guardiões da Lei na Luz têm uma função como a minha, mas afeta a Luz: não
deixam cair quem se fez por merecer à ascensão. Eu não deixo subir aos que se fizeram por merecer a queda.
Eu sou a mão que castiga, a outra é a que acaricia. Eu sou a mão que derruba, a outra a que levanta. Tudo isto eu sou e ainda assim não sou infeliz, triste, arrependido ou ruim. Não sofro de remorso por castigar aquele que a Lei derrubou, assim como um guardião da Lei na Luz nada sente ao premiar a quem merecer. Eu sou o que sou, um guardião da Lei nas Trevas e me orgulho disto porque sei que sou necessário à Lei. E tudo isto você
também é, ou será se assumir todo o seu passado, resgatá-lo e se sentir feliz em servir à Lei. Ela o recompensará quando assim quiser, não porque você peça qualquer recompensa pelo seu trabalho, mas porque a serve sem se lamentar por estar nas Trevas, pois Luz e Trevas são os dois lados do Criador. Há os que trabalham durante o dia e dormem à noite, mas também há os que trabalham de noite e dormem durante o
dia. Há os animais que só saem de sua morada sob o sol e aqueles que só o fazem sob o luar. Há o verão, mas há também o inverno. O que um aquece o outro esfria e vice-versa. Há a primavera, mas há também o outono: o que um faz brotar o outro faz se recolher e vice-versa. Há o fogo para queimar e a água para saciar a sede.
Há a terra para germinar e há o ar para oxigenar. Há tantas coisas, e no fim são somente partes do Um. Por isto lhe digo, Guardião da Meia-Noite, há os anjos e há os demônios. Os anjos habitam na Luz e os demônios nas Trevas. Uns não condenam aos outros, pois sabem que são o que são porque assim quis o Criador. Aqueles que vivem no meio é que criam tanta confusão com suas descidas na carne. Do nosso lado, não há nada disto.
Cada um sabe a que lado pertence. E os que não sabem, são os primeiros de quem nos apossamos. Esta é a Lei que nos rege e a todo o resto da Criação. Mais não vou falar, pois precisaria de muito tempo para tal coisa.
Espero que possa sair daqui melhor servidor da Lei do que quando chegou.

(Guardião da Meia Noite) - Eu agradeço suas palavras, Guardião dos Portais. Pena que eu seja muito pequeno para ajudá-lo, senão eu diria: se precisar de minha ajuda é só pedir!

(Guardião das Sete Portas) - Pois ainda lhe digo que a maior das pirâmides não prescinde da menor de suas pedras; a maior das aves de sua menor pena nem o maior teto de sua menor telha; e nem o maior corpo do seu menor dedo. O maior rio não rejeita a menor gota da chuva nem o maior exército ao seu mais fraco soldado. O maior rico é aquele que valoriza o menor dos seus bens. Muito mais eu poderia dizer, mas me satisfaço em dizer-lhe: obrigado Guardião da Meia-Noite! Se eu precisar de seu auxílio não terei vergonha em lhe pedir, pois por terem vergonha muitos morrem. Morrem por terem desejado algo e não terem provado seu gosto. Vergonha não faz parte do meu vocabulário e a palavra que mais prezo é a que se chama “respeito”. Aja assim e não será traído nem odiado, mas respeitado. Nem os maiores passarão por cima de você e nem os
menores lhe escaparão.

Ele parou de falar.

(Guardião da Meia Noite) - Até à vista, Guardião dos Sete Portais das Trevas!

(Guardião das Sete Portas) - Até à vista, Guardião da Meia-Noite!

************************************************************

Caso passe este texto cite estas fontes: texto extraído do livro “O Guardião da Meia Noite” (Editora
Madras / Rubens Saraceni – Pai Benedito de Aruanda)