quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

BREVE COMENTÁRIO

KAWO KABIECILE!!!!

No texto "Carnaval", postado em 02 de fevereiro, reproduzi um trecho do texto postado por minha amiga Mary Gaspari em seu blog ATÉ QUANDO O MOTOR AGUENTA (www.atequandoomotoraguenta.blogspot.com), falando sobre o espírito natalino e comparando com o espírito carnavalesco. Pois, ela fez um comentário que resolvi reproduzir e postar aqui:


"Acho que o carnaval é o solo fértil para brotar a prima do "espírito natalido", aquela que é tão festejada nesse país, muito mais do que vivenciada, a "democracia racial". Só que aqui, ela aparece de forma folclórica, "pra inglês ver". Afinal, faz parte do showzinho do carioca, fingir que não existe racismo na terra do samba."

SARAVÁ!!!!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

MADIBA


KAWO KABIECILE!!!!


"Madiba é a forma como os negros sul-africanos definem o clã do Presidente". Nâo é exatamente esta a frase, mas, é na essência, o que o segurança negro responde ao segurança branco do Presidente Nelson Mandela, quando questionado por este, por que insistia em chamar o Presidente da República de Madiba. Assim também era chamado por suas assessoras.
Impossível conter a emoção ao assistir ao filme Invictus. Nelson Mandela, acima de todos os pequenos sentimentos, podendo optar por uma vingança contra aqueles que o mantiveram preso por quase 3 décadas, opta pela união do seu país. Vê no rugbi, a oportunidade para tal... e consegue. O modesto time da África do Sul, que em 1994 era um "saco de pancadas", com a força, a insistência, a perseverança e a inteligência de Nelson Mandela, vence a Copa do Mundo.
Viva Nelson Mandela! Muitos já disseram isto, mas, este Blog de Xangô Aganju vem saudar a este homem iluminado, com certeza, um mensageiro dos Orixás, um mensageiro da justiça.
No último dia 11, fez 20 anos que o Madiba foi libertado. Aqui no Brasil, seria muito bom se negros e brancos tivessem Mandela como inspiração. Vemos muitos "heróis" fabricados que, quando colocados na cara do gol. muitas vezes, nem chutam. Pois, Mandela chutou sempre e está vivo para contar a história.
E que o amor impere, que a integração entre os seres humanos de todas as cores de pele seja real e factivel. É a utopia, mas, como disse no texto anterior, sem utopia não dá para viver.

SARAVÁ!!!!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

CARNAVAL

KAWO KABIECILE!!!!

Viva o Carnaval, a festa mais esperada pelos brasileiros!
Eu não sou daqueles (apesar de preferir usar este período do ano para recolher-me) que vocifera contra a maior festa popular do mundo. Ao contrário, sou um incentivador, um admirador da cultura popular e acho que o Carnaval não deve sair do calendário de eventos do nosso país. Espero que continue sendo cada vez mais uma festa linda, que leve e mostre ao mundo a alegria de nosso povo (sem, é claro, os excessos que são cometidos por algumas pessoas).
Mas, estava a pensar cá com meus botões e resolvi dividir com você, leitor deste Blog de Xangô Aganju, uma pulga que não sai de trás de minha orelha. Relendo um texto do Blog "Até quando o motor aguenta", de minha amiga Mary Gaspari-www.atequandoomotoraguenta.blogspot.com-, intitulado "Aaaah, o Natal..." chamou-me a atenção o seguinte trecho: "E o que dizer daquele que é o mais esperado do ano? O belíssimo, magnífico: espírito natalino! Bem, o famoso espírito natalino é um caboclo canastrão que teima em baixar em meio mundo no Natal. Do alcóolatra que fica um dia sem bater na mulher ao mega empresário que destina 0,001% da renda das vendas da sua comida gordurosa às criancinhas com câncer. Todo o mundo ocidental é acometido por essa entidade, que desaparece com a mesma rapidez que surge."
Relendo este texto, especialmente este trecho, concluí que no Carnaval ocorre algo muito semelhante. Você pode sair (especialmente aqui no Rio, onde vivo) em qualquer bloco e ver entre turistas e foliões cariocas, uma mistura impressionante. Ricos e pobres. patricinhas e mendigos até, pulando e cantando, dividindo a mesma alegria.
Ora, já ouvi muita "gente boa" (pessoas espiritualizadas e frequentadoras de Umbanda e Espiritismo) dizendo, em tom de desabafo até, que seria tão bom se fechassem o túnel, parassem o metrô nos finais de semana, para dificultar o acesso às praias da orla da zona sul da cidade por pessoas oriundas do subúrbio carioca. Principalmente, as pessoas de pele preta, obviamente! Ou você tem alguma dúvida?
E, de repente, eis que me deparo com uma dessas pessoas, em pleno Carnaval, em um bloco em Santa Tereza, beijando na boca de uma pessoa de pele preta, oriunda de uma favela da zona norte.
Será que o Carnaval provoca uma espécie de amnésia? Ou uma espécie de daltonismo, onde essas pessoas passam a ver alguma cor que não a preta em tudo e todos? Ou será que o Espírito Carnavalesco faz com que, durante quatro dias, o preconceito suma do coração dessas pessoas?
Por que essa integração de amor e de respeito ao próximo não acontece durante o ano todo? Por que não fazemos da vida um constante Carnaval (ao menos no quesito "adeus preconceito")?
Talvez você esteja agora chamando-me de utópico. Mas, eu prefiro achar que a utopia é o primeiro passo para conquistarmos um objetivo, realizarmos um sonho. Então, que assim seja, com utopia.
Desejo um Carnaval cheio de alegria e com muito amor no coração acima de tudo.

SARAVÁ!!!!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

JANAÍNA

ODOYÁ!!!!


"Ô Janaína vem ver, Ô Janaina vem cá, receber as flores que eu vim te ofertar."

Hoje, escrevo para homenagear minha mãe. A Mãe Yemanjá, minha Mãe Janaína.
Cresci em Porto Alegre tendo sempre o feriado de 2 de fevereiro como o dia dela. Na verdade, o feriado é de Nossa Senhora dos Navegantes, mas, com todo o respeito que devo a esta Santa, sempre homenageei minha Mãe.
E é o que venho fazer aqui hoje, neste blog, com licença de Meu Pai, dono deste espaço, agradeço publicamente à minha Mãe por toda a força e a luz que sempre me deu. Como Mâe Maior que é, sempre cuidou de mim da forma mais amorosa, não me deixando uma ferida sequer, cuidando da saúde deste seu filho.
E eu só posso, retribuindo, dizer: Mãe, tu és a mais linda de todas as mulheres, a Yabá das Yabás, a vibração feminina mais intensa e mais maternal. Te amo por tudo, sem tua presença esta caminhada seria muito pedregosa. Com tua presença, flutuo sobre o mar todos os dias.
Yemanjá é a Rainha do Mar, é a Mãe Maior, é a minha Mâe. Quem tiver possibilidade, que tome um banho de mar, hoje ou em qualquer dia do ano. Banhe-se com fé e sinta a diferença em seu corpo e sua alma.
Amo-te da forma mais intensa, Mamãe Sereia!

Odossyá, Janaína!!!!

SARAVÁ!!!!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

KAWO KABIECILE!!!!

Não tecerei comentários, o texto abaixo fala por si só. É um texto de Eduardo Galeano e foi-me enviando por minha amiga Andréa Chagas.


SARAVÁ!!!!

domingo, 17 de janeiro de 2010

OS PECADOS DO HAITI


Publicado em 15 de Janeiro de 2010 por Eduardo Galeano

(tradução livre de Antonio Folquito Verona)

A democracia haitiana nasceu há muito pouco. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e enferma não recebeu nada, além de bofetadas. Estava ainda recém nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de terem colocado e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos pegaram e impuseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que havia tido a louca aspiração de querer um país menos injusto.

O voto e o veto

Para apagar as nódoas da participação norte-americana na ditadura carniceira do general Cedras, os infantes de marinha levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para retomar o governo, mas o proibiram exercer o poder. Seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, porém mais poder que Préval tem qualquer burocrata de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha sequer eleito com um voto apenas.


Mais que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum de seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, instrução aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou o contradizem ordenando-lhe: - Faça a lição! E como o governo haitiano nunca aprende que deve desmantelar os poucos serviços públicos que ainda permanecem, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores acabam sempre por reprová-lo.

O álibi demográfico

No final do ano passado quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Assim que chegaram, a miséria do povo os atingiu frontalmente. Então o embaixador de Alemanha lhes explicou, em Porto Príncipe, qual é o problema: - Este é um país demasiadamente povoado - disse-. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.


E riu. Os deputados se calaram. Essa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou as cifras. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, tanto quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado. Em sua passagem pelo Haiti, o deputado Wolf não apenas foi atingido pela miséria: também ficou deslumbrado pela capacidade de expressar a beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado… de artistas.
Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até a alguns anos, as potências ocidentais falaram bem mais claro.

A tradição racista

Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando alcançaram seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e revogar o artigo constitucional que proibia a venda de terras aos estrangeiros. Robert Lansing, então secretário de Estado, justificou a prolongada e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de se governar por si mesma, que possui “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Um dos responsáveis pela invasão, William Philips, havia elaborado anteriormente a sagaz idéia: “Esse é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que tinham deixado os franceses”.


O Haiti havia sido a pérola da coroa, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com força de trabalho escrava. No espírito das leis, Montesquieu o havia explicado sem travas na língua: “O açúcar seria demasiado caro se não trabalhassem os escravos para sua produção. Esses escravos são negros desde os pés até a cabeça e têm o nariz tão esmagado que é quase impossível ter deles alguma pena. Resulta impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma e sobretudo uma alma boa num corpo inteiramente negro”.


Em troca, Deus havia colocado um chicote na mão do feitor. Os escravos não se distinguiam por sua vontade de trabalho. Os negros eram escravos por natureza e vadios também por natureza; e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir ao amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrasse o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: “Vagabundo, desocupado, negligente, indolente e de costumes dissolutos”. Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro “pode desenvolver certas habilidades humanas, como o papagaio que fala algumas palavras”.

A humilhação imperdoável

Em 1803, os negros do Haiti ocasionaram uma tremenda derrota às tropas de Napoleão Bonaparte e Europa não perdoou jamais essa humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes sua própria independência, porém conservava ainda meio milhão de escravos trabalhando nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era senhor de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.


A bandeira dos livres se içou sobre as ruínas. A terra haitiana havia sido devastada pele monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França. Uma terça parte da população havia caído em combate. Então, começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava dela, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.

O delito da dignidade

Nem mesmo Simon Bolívar, que soube ser tão valente, teve a coragem de assinar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar poderia ter reiniciado sua luta pela independência americana, quando já havia derrotado a Espanha, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano lhe havia entregado sete navios, muitas armas e soldados, com a única condição que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que ao Libertador não lhe passava pela cabeça. Bolívar cumpriu com esse compromisso, porém depois de sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvado. E quando convocou as nações americanas para a reunião do Panamá, não convidou o Haiti, mas sim a Inglaterra.


Os Estados Unidos reconheceram o Haiti depois de sessenta anos do final da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque possuem pouca distância entre o umbigo e o pênis. Naquele instante, o Haiti já estava nas mãos de carniceiras ditaduras militares, que destinavam os famélicos recursos do país para pagar a dívida com ex-metrópole: a Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indenização gigantesca, como modo de ver-se perdoado por ter cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que em nossos dias tem dimensões de tragédia, é também una história do racismo na civilização ocidental.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

ERRATA: Mais uma vez com a colaboração do meu amigo Dudah Oliveira, ressaltamos neste blog que a Cidade do Cabo (mesmo sendoa mais famosa) é apenas a capital legislativa da África do Sul. Bloemfontein é a capital judiciária e Pretória a capital executiva. Enfim, com a força de todos os Orixás, a Copa do Mundo de 2010 será a mais bela de todas as Copas.


SARAVÁ!!!!