sábado, 24 de outubro de 2009

À UM AMIGO (E À TANTOS OUTROS QUE NÃO CONHECI)



KAWO KABIECILE!!!!


Para
recuperamos a dignidade, para termos amor ao próximo, precisamos recuperar o amor próprio.
Tudo o que vimos na mídia esta semana (guerra nas favelas do Rio, mas, principalmente, as violentas mortes que chocaram a todos) é fruto da podridão da nossa sociedade.
Quando um irmão mata o outro com uma ou duas marretadas, ouvimos todo o tipo de comentário. Mas, o que leva um ser humano a fazer isto? Quando alguém leva um tiro e é vítima de omissão de socorro por parte do Estado (a polícia é o Estado na rua), também ouvimos todos os comentários imagináveis.
Mas, por que chegamos a este ponto? O que está nos embrutecendo? Onde está o "nosso coração"? Nâo precisas me responder, responde à tua consciência.
Este blog é do meu Pai, eu apenas o modero e, por isto, procuro sempre escrever além do pessoal, procuro sempre escrever sobre o "sentimento geral" e não sobre o meu sentimento. Mas, desta vez eu não estou conseguindo e, com a permissão do dono deste Blog, segue o desabafo:
Desde que entendo-me como habitante deste mundo, vejo cenas de violência na televisão, sempre fiquei chocado. Mas, desta vez, ver um amigo sendo assassinado e tendo socorro omitido pela polícia, foi demais!!!!
A Carta Magna de nosso país, a Constituição da República Federativa do Brasil, garante-nos o direito de ir e vir (clap, clap, clap, clap, clap, clap, clap... um milhão de aplausos!), mas, não nos garante segurança na ida e muito menos na vinda. Então, acuemos, fiquemos em casa. Esta é a solução? Não saiamos mais à rua, afinal, parafraseando Herbert Vianna: "A polícia apresenta suas armas, escudos transparentes, cassetetes, capacetes reluzentes e a determinação de manter tudo em seu lugar". E eu pergunto: em qual lugar mesmo, cara pálida?
Coincidência ou não, esta música chama-se SELVAGEM.
Ao contrário do braço armado do Estado, nossa única arma é o grito. E não devemos ter medo, vamos gritar até gastar nossas vozes. Não dá pra ficar deste jeito! Precisamos de respeito e, acima de tudo, educação. Só a educação pública de qualidade (por que nunca a tivemos de fato neste país de Olimpíadas e Copa do Mundo) fará uma sociedade melhor no futuro, a curará de todas as mazelas. Por que, neste momento, não tem jeito, para melhorarmos algo, devemos recorrer aos curativos. E o grito, agora, é o mais eficaz. Paralelo ao curativo, em doses homeopáticas, devemos aplicar o remédio: educação de verdade para nossas crianças.
Este blog é do Orixá da Justiça. Então, gritemos por JUSTIÇA!!!!... que vai além de punir os policiais, prender os assassinos de Evandro e Caio. Ela será plena quando pudermos andar na rua com tranquilidade.
Ao meu amigo Evandro João: obrigado por teres feito parte da minha vida. "Véio", foi um privilégio para mim ter convivido contigo. Talvez, nem tenhas te apercebido, mas, entre tantos momentos na Lapa (ah... a nossa Lapa!), tuas palavras me aliviaram, teu sorriso trocou a angústia que eu sentia por momentos de alegria. Obrigado por teres sido o ombro amigo na hora do choro, quando eu achava que nada mais daria certo.
Parabéns, meu "véio", pela linda missão que cumpriste neste plano, como ser humano, amigo de todos e como soldado do AfroReggae! Sei que em breve, estarás trabalhando, como sempre, para ajudar aos que precisam. Fica em paz, pois, nós continuaremos tentando a paz por aqui. Até a próxima.

SARAVÁ!!!!


**** Abaixo, texto de nossa amiga Sandra Oliveira, que também está fazendo de tudo para amenizar sua dor.

UM ATÉ BREVE


É com pesar que meu coração fala.
É com tristeza que minha alma se emociona.
Vejo que impossíveis acontecem de maneiras diversas todos os dias.
E neste momento não consigo identificar ao certo o que aconteceu. Tudo parece escapar de minha ínfima compreensão.
Rascunho palavras para expressar algo. E um misto de tristeza, indignação, agonia e dor toma conta de mim.
Meu lamento não adianta em nada, não faz mágica nem conta pontos para trazer tudo de volta. Sentimento medíocre este, sem efeito nem valor algum. O que tem valor é o que ficou; a alegria, os sorrisos, as falas, palavras e memórias.
Meu choro nunca foi tão intenso e reservado, acho que está calejado de tanta tristeza, quer chorar agora só alegrias.
Neste exato momento, uma lembrança maior brindou meus pensamentos e elevou minha mente ao cume de um monte de consolo e paz, de onde tenho a certeza de que foi de lá que ouvi sua voz convidando-nos à ficar perto do seu coração, que sempre esteve cheio de compreensão e luz.
Grande beijo IRMÃO e até breve!

Sandra Oliveira

sábado, 17 de outubro de 2009

MIKAEL- Parte 2... * Por André Cozta

No dia seguinte, Mikael não conseguiu parar de pensar naquela noite. Aquela visão nos Arcos da Lapa, aquele sonho... por que isto estava acontecendo com ele? Sempre foi agnóstico. Sempre respeitou as crenças populares, as religiões, mas, sempre analisou-as de forma sociológica e, até mesmo, antropológica, nada além disso. Nunca rezou, sempre pensou depender de si próprio para conseguir tudo o que almejou na vida, sempre achou que conseguiria tudo andando com suas próprias pernas. Nunca entendeu porque as pessoas apegavam-se ao invisível. Para ele, a solução para tudo estava dentro de cada um.
E agora, contrariando tudo em que sempre acreditou, na mesma noite, viu um anjo voando em plena Lapa e sonhou com ele em seguida. Pensou: "- Só posso estar ficando maluco, não há outra explicação para isto." Continuou refletindo, a noite caiu. Concluiu: "- Vou procurar por Andrea, ela, com certeza, pode ajudar-me."
Andrea, psicóloga, amiga de Mikael desde sua chegada ao Brasil, foi colega dele em seu primeiro trabalho na Cidade Maravilhosa.
Naquela noite, Mikael dormiu um sono profundo. Acordou no dia seguinte, tomou seu habitual café da manhã com suco de laranja e frutas. Após a refeição, pegou seu celular e ligou para Andrea.
- Alô... Andrea?!
- Não acredito!!!!!!! Meu francesinho, por onde você andava? Quanto tempo?
- Tenho andado muito atarefado. Andrea, preciso conversar com você, aconteceram coisas estranhas comigo. Na noite passada...
Andrea o interrompeu:
- Querido, venha até meu consultório hoje após o almoço, estou com um horário livre e posso atender você, podemos conversar à vontade.
- Obrigado, Andrea, estarei aí.
À tarde, Mikael foi recebido por Andrea, que o aguardava sozinha no consultório. Ela deu um longo e afetuoso abraço no amigo e disse:
- Meu querido, quanto tempo?! Mais de um ano sem te ver! Ai, que coisa boa estar aqui contigo!
- É verdade, Andrea. Muitas vezes, nos distanciamos dos amigos sem perceber.
- Mas, me conte Mikael, o que está incomodando você? Está com um ar de assustado.
- Andrea, na noite passada, andando pela Lapa, vi um anjo... um anjo negro sobrevoar os Arcos. Mais tarde, sonhei com este anjo, em uma praia, olhando-me. Seu olhar era intrigante e, ao mesmo tempo, fazia sentir-me como sentia-me quando criança, aprontava alguma e meu pai olhava-me repreendendo-me.
Andrea, sentada à frente de Mikael, de braços cruzados, sorriu e disse:
- Mikael, meu querido amigo, em poucas palavras: você está muito solitário e, por isso, tem-se voltado para seu interior. Sei que você é um homem caseiro, que não gosta muito de ficar na rua, mas, você precisa sair mais, distrair-se, conhecer gente nova, conhecer meninas...
- Andrea, eu sempre gostei de viver assim. É verdade que, depois da morte de minha mãe, fiquei muito sozinho no mundo. Mesmo morando aqui no Rio há quase 10 anos, ainda sou sozinho, vivo sozinho na maior parte do tempo.
- Você precisa de companhia Mikael, você precisa dividir sua vida com alguém.
- É (Mikael está cabisbaixo)... Andrea, talvez você tenha mesmo razão.
Ele levantou a cabeça, olhou para Andrea e disse:
- Vou pensar seriamente no que você me falou. Acho que é hora de mudar de atitude, mesmo.
- Conte comigo, francesinho, sempre que precisar.
Mikael sorriu e disse:
- Eu sei disso. Muito obrigado por tudo.
- Não há o que agradecer, Mikael, amigos são amigos. E, por serem amigos, estarão perto de nós sempre que precisarmos.
Mikael sorriu, levantou-se, Andrea também. Eles abraçaram-se, Andrea o acompanhou até a porta do consultório. Mikael beijou a face de Andrea e disse:
- Tchau, Andrea!
- Até mais, Mikael!
Mikael, andando pela rua sem destino, começou a pensar novamente em tudo. Andrea era sua amiga do coração, mas, agora, tinha mais questionamentos. Chegou em casa, ligou para alguns amigos, viu emails, conversou com algumas pessoas por um chat. Foi tomar banho.
Já era noite, após o banho, Mikael ligou a tv de seu quarto, deitou-se e começou a zapear, procurando algum programa para passar o tempo. Sentiu sono e cochilou.
A janela de seu quarto estava aberta. A noite era quente, mas, de repente, um vento rápido e forte levantou a cortina e um raio de luz adentrou o quarto de Mikael. Numa fração de segundo, a luz tomou forma humana... de anjo. O Anjo Negro estava, naquele momento, ao lado de Mikael, observando-o dormir.
O Anjo passou a mão direita sobre os olhos de Mikael, que acordou instantaneamente. Ele ficou estático, paralisado, sem saber o que fazer. O Anjo estendeu a mão direita, pegou na mão de Mikael, que continou paralisado, olhando para aquele Anjo Negro. O Anjo disse:
- Venha comigo...

Continua...
KAWO KABIECILE!!!!

Viva as Olimpíadas no Brasil! Viva as Olimpíadas no Rio!
Abaixo, texto do companheiro Luiz Carlos Gá, saudando mais esta conquista do nosso país.


SARAVÁ!!!!

PREFEITURA DO RIO RACISTA????

















Me nego a acreditar que nosso prefeito Eduardo Paes tenha autorizado ou mesmo visto a homenagem à conquista das olimpíadas de 2016, estampada na fachada principal da sede da prefeitura (veja fotos que acompanham este texto).
A ternura com que o nosso querido prefeito tem com a população negra no contato de rua não condiz com esta atitude racista.
Prefiro atribuir essa coisa vergonhosa, financiada também com o dinheiro da população negra dessa Cidade, ao racismo incorporado no inconsciente de alguns publicitários, que, como sempre, usam a estratégia de disfarçar o seu racismo, oferecendo alguma consolação, como é o caso dos banners bem menores fixados nos pontos de ônibus.
Tenho certeza que após essa denúncia, o nosso prefeito vai mandar corrigir essa imprudência, e como colaboração, sugiro que se mantenha essa justa homenagem com uma criança negra, uma branca e uma índia. A rigor deveria ser duas negras, uma índia e uma branca, afinal nós negros somos maioria, mas já vi que o espaço não comporta quatro crianças. Sugiro também que suspenda imediatamente o contrato com essa agência de publicidade, que exonere o secretário responsável pela aprovação dessa campanha, e que, em nome da decência, solte uma nota pedindo desculpas a população da Cidade Maravilhosa, é o mínimo que se pode fazer pelo seus eleitores e pela população como um todo.
Peço a negrada consciente da nossa Cidade que se manifeste de alguma forma.
ALÔ COMDEDINE!!! ALÔ CEDINE!!! ALÔ SECRETARIAS E/OU PROGRAMAS MUNICIPAIS E/OU ESTADUAIS ENCARREGADOS DE DEFENDER O DIREITO DO NEGRO E/OU DIREITOS HUMANOS!!!
ACORDA CRIOULO!!!
DIVULGUE NEGRADINHA!!!
Luiz Carlos Gá

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

INTOLERÂNCIA

"15.10.2009 | 08h44
Gazetaweb- com Adelaide Nogueira e Dulce Melo
Representantes de terreiros e PM se reúnem com MP
Discussão será em torno da apreensão de tambores em terreiros

Representantes de terreiros de Maceió e da Polícia Militar (PM) se
reúnem na manhã desta quinta-feira (15) na sede do Ministério Público
(MP), no bairro Poço, em Maceió, para discutirem a apreensão de
tambores durante operação militar.
A manifestação´dos adeptos do Candomblé é em decorrência de uma ação
ocorrida em meio a uma sessão, após denúncia de perturbação de sossego
feita por vizinhos ao Centro Integrado de Operações da Defesa Social
(Ciods)."



KAWO KABIECILE!!!!


Vamos parar com isto!!!!!!!
Não dá pra aceitar este tipo de preconceito, esta intolerância! Alguém, por um acaso, já viu algum morador em qualquer lugar do Brasil reclamar da procissão em louvor a qualquer santo católico que passa pela porta da sua casa de manhã, muitas vezes, com alguém cantando de forma por demais desafinada? Alguém, por um acaso, já reclamou dos gritos do pastor evangélico que perturbam o sono de muitos?
O Candomblé e a Umbanda, são tão legítimos quanto qualquer outra religião praticada no Brasil. Não entrarei no mérito de que estão entranhadas na nossa cultura. Apenas direi que eles devem ter o mesmo tratamento das doutrinas "oficialescas".
Não me prolongarei, por que, este tipo de atitude me irrita.

SARAVÁ!!!!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

OFENSA RACISTA

Engenheiro é acusado de ofensa racista

Folha de S.Paulo

Um engenheiro de 59 anos foi preso ontem em flagrante, acusado de ofender com frases racistas o segurança de uma escola de ensino infantil na zona sul de São Paulo.

Alexandre Semenoff, morador do Campo Belo (zona sul de SP), foi indiciado sob suspeita de injúria racial, cuja pena varia de um a três anos de reclusão. O engenheiro passaria a noite na cadeia. Ele tentará obter hoje na Justiça liberdade provisória.

Segundo o segurança Délcio Gonçalves, 53 anos, e duas testemunhas que o acompanharam até a delegacia, Semenoff começou a xingar funcionários da escola particular Núcleo Querubim no final da manhã de ontem. O engenheiro é vizinho do colégio e frequentemente reclama do barulho das crianças.

Minutos depois, Semenoff saiu para passear com seu cão e passou em frente à escola. "Aí ele xingou de novo. Perguntei qual era o problema e ele disse: 'Sai daqui porque com preto eu não converso'", disse o segurança, segundo o qual ofensas do engenheiro são frequentes.

Funcionários de uma imobiliária vizinha da escola chamaram a polícia. O soldado Daniel Gonzaga Costa, 37 anos, resolveu levar Semenoff à delegacia. "É lamentável que em pleno século 21 ainda ocorra esse tipo de situação", afirmou Costa.

Procurado, o advogado do engenheiro, Leonardo Watermann, disse apenas que, segundo seu cliente, "foi tudo um mal-entendido".

Como o caso de ontem é de crime de injúria racial --e não de crime de racismo, que envolve, por exemplo, deixar de contratar ou despedir alguém por causa de sua cor--, cabe agora ao segurança decidir se abre ações criminal e civil contra o acusado.